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quinta-feira

Orientações para a celebração da Missa e da Palavra de Deus

Como celebrar a Palavra quando não há um sacerdote ou diácono?


            A Eucaristia é, por excelência, a celebração do Dia do Senhor. O Catecismo da Igreja Católica prescreve: “O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor: ‘Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da Missa’. Satisfaz o preceito de participar dela quem a assiste segundo o rito católico no próprio dia da festa ou à tarde do dia anterior” (CIC 2180).

           A Celebração da Palavra não deve ser confundida com a Missa. O documento 43 – “Animação da vida litúrgica no Brasil”–, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), assim nos orienta: “Contudo, não confundimos nunca estas celebrações com a Eucaristia. Missa é Missa. Celebração da Palavra, mesmo com a distribuição da comunhão, não deve levar o povo a pensar que se trata do Sacrifício da Missa. É errado, por exemplo, apresentar as oferendas, rezar o Cordeiro de Deus e dar a bênção própria dos ministros ordenados”.
            O ideal seria que todas as comunidades pudessem participar da Missa, contudo a realidade que vivemos no Brasil não é essa. Segundo o documento 43 da CNBB, cerca de 70% das comunidades no Brasil não têm acesso à Celebração Eucarística presidida por um ministro ordenado. Muitas delas se encontram em regiões distantes que não permitem aos fiéis ir a uma igreja. O que fazer em tais casos? Qual a orientação da Igreja?
            Vejamos o que diz a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia: “Promova-se a celebração da Palavra de Deus nas vigílias das festas mais solenes, em alguns dias feriais do Advento e da Quaresma e nos domingos e dias de festa, especialmente onde não houver sacerdote; neste caso, será um diácono ou outra pessoa delegada pelo bispo a dirigir a celebração” (SC, 35.4).
            A Congregação para o Culto Divino, no “Diretório para celebrações dominicais na ausência do presbítero”, no parágrafo 20, assim prescreve: “Entre as muitas formas celebrativas que se encontram na tradição litúrgica, é muito recomendada a Celebração da Palavra de Deus”. O mesmo diretório diz: “Quando em alguns lugares não for possível celebrar a Missa aos domingos, veja-se primeiro se os fiéis não podem deslocar-se à igreja de um lugar mais próximo e participar aí da celebração do mistério eucarístico. Quando a celebração da Missa dominical não é possível, é muito recomendada a celebração da Palavra de Deus, seguida da comunhão eucarística. Mas é necessário que os fiéis percebam com clareza que tais celebrações têm simplesmente carácter supletivo, e não venham a considerá-las como a melhor solução para as atuais dificuldades ou concessão feita à comodidade. Por isso, as celebrações dominicais, na ausência do presbítero, nunca podem realizar-se aos domingos naqueles lugares onde a Missa já foi ou vier a ser celebrada nesse dia ou tiver sido celebrada na tarde do dia anterior, mesmo noutra língua”. Recomendo a leitura atenta do “Diretório para celebrações dominicais na ausência do Presbítero”, publicado pela Congregação para o Culto Divino.
            A celebração dominical na ausência do presbítero é orientada por um diácono que a preside ou, na sua falta, por um leigo designado pelo pároco.
            A CNBB publicou um documento (número 52) sobre “Orientações para a celebração da Palavra de Deus”.  Neste documento, encontramos alguns dados importantes:
1. Para a Celebração da Palavra de Deus não existe um ritual próprio. Muitas comunidades seguem o esquema da Celebração Eucarística, omitindo algumas partes ou usando um subsídio específico.
2. Na Celebração da Palavra, sejam valorizados os seguintes elementos: 1) Reunião em nome do Senhor; 2) Proclamação e atualização da Palavra; 3) Ação de Graças; e 4) Envio em Missão.

O documento ainda oferece um roteiro:
1. Ritos iniciais: Saudação, acolhida, introdução no espírito da celebração, rito penitencial. Quem preside conclui os ritos iniciais com uma oração.
2. Leitura, Salmo e Evangelho.
3. Partilha da Palavra de Deus.
4. Profissão de Fé.
5. Oração dos Fiéis.
6. Momento de Louvor: Não deve ter, de modo algum, a forma de Celebração Eucarística.
7. Oração do Senhor – Pai Nosso.
8. Abraço da Paz.
9. Comunhão Eucarística: Nas comunidades onde se distribui a Comunhão durante a Celebração da Palavra, o Pão Eucarístico pode ser colocado sobre o altar antes do momento do louvor, como sinal da vinda do Cristo, Pão Vivo que desceu do céu.
10. Ritos finais.
Padre Flávio Sobreiro

Atenção!
O Documento 52 da CNBB sobre a Celebração da Palavra de Deus foi para uma realidade litúrgica vivida em um período crítico da falta de conhecimento e consciência litúrgica no Brasil. Sendo assim, os números 62, 64, 67, 70, 74, 78, 90 e 91 foram revisados. E, em conformidade com a SC, assim ficou estabelecido pela Comissão Nacional de Liturgia da CNBB as seguintes indicações:

Celebração da Santa Missa com o Padre
Procissão de Entrada

·        Antes da Procissão de Entrada, se prepara o Altar revestido sempre de toalha branca (IGMR 117 e 304), não importando em que período do Tempo Litúrgico esteja. Depois, coloca-se 2, 4, 6 ou 7 velas, caso seja o Bispo que celebre, sobre o altar ou próximo dele (IGMR 117).
Para a procissão de entrada se espera a ordem hierarquicamente ordenada: incenso, cruz proces-sional, velas, acólitos (ministros do altar), o Evangeliário, diáconos, sacerdotes, bispos, cardeais e o papa.
Saudação inicial
·        A saudação inicial está prevista com a saudação ao altar (inclinação e o beijo em sinal de veneração). (IGMR 49). Usando a lógica, cada um faz a saudação ao altar conforme a ordem da procissão e o grau da hierarquia que cada um pertence. O presidente da celebração faz a reverência ao altar sozinho. Exceto quando o Presbítero (ou o Bispo) vem acompanhado por dois diáconos, onde os três fazem a reverência e o beijo do altar.
·        Se usará incenso no começo da celebração, depois do beijo do altar, o sacerdote recebe o turíbulo, incensa primeiro a cruz que está sobre o altar, depois incensa o altar com 3x2. Pode-se ainda incensar depois do altar, incensar a Imagem do(a) padroeiro(a) com apenas 3x1
·        O sinal da cruz é feito por todos, mas o falar em Nome do Pai... é dito pelo sacerdote;
·        A saudação ao povo com as fórmulas previstas pela Igreja no missal ou uma outra similar; (IGMR 50)
·        É colocado pelo celebrante ou um ministro ou comentarista as intenções especiais que introduzam os fiéis na celebração do dia, (IGMR 51) se não foram mencionadas no comentário antes do hino de entrada. 
·        Aqui pode-se acolher além dos visitantes, também pode-se fazer um ato de acolhida da Imagem do Padroeiro do lugar. E, assim que a Imagem chegar ao presbitério, pode-se incensa-la com 3x1.
·        Se a comunidade não preparou uma para-liturgia, pode aqui apresentar algo que é significativo para a comunidade. Exemplo: algo sobre a Missão, a Festa que se celebra.
·        Logo em seguida, a introdução ao Ato Penitencial. (IGMR 51)
Ato Penitencial
·        O sacerdote convida os fiéis para o Ato Penitencial. Após breve pausa de silêncio, é realizado por toda assem-bleia através de uma fórmula de confissão geral, concluída pela absolvição do sacerdote;
·        Aos domingos, particular-mente no tempo pascal, em lugar do Ato Penitencial de costume, pode-se fazer a benção e a aspersão da água em recordação do batismo. (IGMR 51).
·        O gesto de lavar as mãos em recipientes como ato penitencial não está pres-crito, nem fomentado no Missal. Sendo assim, evite-se. A mesma coisa é dito sobre o uso das palmas nas musicas rituais da missa (Kyrie, Hino de Louvor, Cordeiro de Deus, Santo).
·        Uma procissão antes da Missa, em alguns lugares e dias, é aceito como Ato Penitencial da Missa, conforme a orientação da Conferência Episcopal.
Hino de Louvor
·        Depois do Ato Penitencial não é prescrito nenhum comentário, nem por parte do sacerdote, nem do comentarista. Pois, o Senhor, Tem Piedade de Nós que está prescrito que se cante ou reze depois do Eu confesso a Deus... (IGMR 52). já é a introdução ao Hino de Louvor.
·        O Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congre-gada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. (IGMR 53)
·        Então, o Glória não é um hino para a Trindade, mas exclusivamente é um hino cristológico. E o Missal nos diz que essa norma deve ser observada. Quando não se tem condições de cantá-lo, a Igreja nos pede que se reze, mas que não seja suprimido ou mudado por qualquer outro hino. 
Oremos (oração do dia)
·        O sacerdote convida o povo a rezar dizendo Oremos; o Missal nos orienta que o celebrante fique em silêncio por alguns instantes, tomando consciência de que todos estão na presença de Deus e formulando interiormente os seus pedidos. Logo sem seguida, se diz a Oração da coleta.  (IGMR 54)
·        Lembrem-se que as intenções especiais foram ditas no comentário antes do hino de entrada ou depois do da saudação a assembleia, antes do Ato Penitencial.
Liturgia da Palavra
·        É parte principal da liturgia da Palavra em que Deus fala ao seu povo. (IGMR 55)
·        O silêncio faz parte da Liturgia da Palavra, sempre depois de cada leitura, e após o término da homilia. (IGMR 56)
·        Não é permitido trocar as leituras e o salmo respon-sorial, constituídos da Palavra de Deus, por outros textos não-bíblicos. (IGMR 57) Exemplo: Ler a biografia da vida de um santo, uma história da comunidade ou parte de uma Regra de vida de uma congregação religiosa.
·        Na celebração com o povo, as leituras e o salmo devem ser profe-ridas sempre do ambão. (IGMR 58) O Salmo Responsorial é Palavra de Deus, e por isso é aconselhável que siga a orientação da Igreja, na hora de proclamá-lo.
·        As leituras são proclamadas pelo leitor. (IGMR 59). Aqui evita-se teatralização, jogral, poesia que mostre a arte na substituição da leitura obrigatória da Palavra de Deus na missa.
·        Estando o diácono em uma celebração Eucarística, a precedência para a Proclamação do Evangelho é dele. Terminando a leitura do Evangelho, o Evangeliário pode ser colocado já na credência (IGMR 175). Também pode deposita-lo sobre o altar até a hora do ofertório; deixá-lo sobre o ambão ou preparar uma estante para ele.
·        Ocasionalmente, o diácono pode ser delegado para fazer a homilia de uma missa, porém, nunca essa faculdade é conferida ao leigo. (IGMR 66)
·        Após a homilia pode-se ministrar os Sacramentos do Batismo, Crisma, Ordem, Matrimônio e Unção de Enfermos.
·        O Credo é símbolo ou profissão de nossa fé. Ele pode ser cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades. (IGMR 67)
·        As preces recebe o nome de Oração Universal. Normal-mente serão estas as séries de intenções: pelas neces-sidades da Igreja, pelos pode-res públicos e pela salvação do mundo, pelos que sofrem qualquer dificul-dade, pela comunidade local. (IGMR 69)
·        As preces são proferidas do ambão em primeiro lugar. (IGMR 71)
Liturgia Eucarística
·        Se o Evangeliário estiver sobre o altar, antes de preparar as ofertas sobre o corporal, o sacerdote ou o diácono retira do altar e entrega ao acólito para que seja colocado na credência.  
·        No início da liturgia eucarística são levadas ao altar as oferendas que se converterão no corpo e no sangue de Cristo. (IGMR 73) É simbólico quando a própria comunidade vem trazendo as oferendas de pão e de vinho. Podem ser oferecidos além das oferendas ordinárias, flores, velas, alfaias novas para o uso do culto. Também podem trazer em oferta os mantimentos para os pobres e a oferta em dinheiro para a manutenção do templo, que serão colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.
·        O canto do ofertório se prolonga até que os dons tenham sido colocados sobre o altar. (IGMR 74) Quando se há o uso do incenso, o canto se prolonga até o momento da incensação da assembleia.
·        Se na missa estiver outros concelebrantes,  após a Oração sobre as Oferendas, todos circunda o altar para acompanhar o Prefácio ao lado do presidente da celebração.
·        Se a Missa é solene, com o Hino do Sanctus, os acólitos trazem o turíbulo, a naveta com 2, 4 ou 6 velas.
·        Na hora da epiclese (da vinda do Espírito Santo), os diáconos (IGMR 179), os acólitos, exceto os que estiverem portando as velas, e todo o povo se ajoelham em sinal de adoração.
·        Existem partes da Prece Eucarística que pode ser dada aos concelebrantes para que a rezem. Para isto o missal indica com os seguintes sinais: C1, C2, C3.
·        Na hora da doxologia, o diácono toma o cálice que está sobre o corporal, e o sacerdote principal toma a patena com o corpo de Cristo. Terminada de rezar a prece, concluímos com a aclamação Amém do povo. (IGMR 79)
·        O próprio sacerdote convida o povo a rezar a Oração do Pai Nosso.
·        Terminando o Pai Nosso, na hora do embolismo (Livrai-nos ó Pai) os outros diáconos (ou ministro) se dirigem até a capela do Santíssimo para trazer as ambulas para colocar sobre o corporal do altar, para que na hora do Cordeiro de Deus, o sacerdote faça a fração do Pão sobre as outras ambulas que necessitarão para a comunhão dos fiéis. (IGMR 83) Depois, os concele-brantes e os diáconos que vão ajudar a distribuir a Santa Comunhão, se dirigem à credência para purificar as mãos. Estes podem ser ajudados pelos acólitos.
·        A mesma regra vale para os ministros extraordinários da Comunhão. Terminando o Pai Nosso, vão imediatamente à capela do Santíssimo buscar as ambulas, coloco-às sobre o corporal, logo em seguida podem purificar as mãos e esperar a hora da comunhão, para comungarem das mãos do celebrante e levarem a Comunhão aos demais irmãos da assembleia.
·        O sacerdote depois do Cordeiro de Deus prepara-se rezando em silêncio, e o povo também deve ficar em silêncio por um breve momento. E, depois o sacerdote mostra o pão eucarístico sobre a patena ou sobre o cálice dizendo: Felizes os convidados... (IGMR 84)
·        Chegando a hora da comunhão, os diáconos (e ministros) recebem a comunhão das mãos do sacerdote. (IGMR 182)
·        Não é permitido que os fiéis recebam por si mesmos a Eucaristia, nem o cálice consagrado e muito menos passar de mão em mão entre si. (IGMR 161)
·        Terminado a santa comunhão, deve-se guardar um pouco de silêncio para a oração pessoal.
·        Para completar a oração do povo de Deus e encerrar todo o rito da comunhão, o sacerdote profere a Oração depois da Comunhão. (IGMR 88)
·        Após a oração pós-comunhão, pode-se fazer breves comunicações e a benção final, com a despedida do povo feita pelo diácono ou pelo próprio sacerdote. (IGMR 90)

Celebração da Palavra por um Ministro Extraordinário

Procissão de Entrada

·        Antes da Procissão de Entrada, se prepara o Altar revestido sempre de toalha branca (IGMR 117 e 304), não importando em que período do Tempo Litúrgico esteja. Depois, coloca-se 2, 4, 6 velas sobre o altar ou próximo dele (IGMR 117).

Para a procissão de entrada se espera a ordem hierarquicamente ordenada: A cruz processional, velas, acólitos (ministros do altar), ministros extraordinários.
Saudação inicial
·        A saudação inicial está prevista com reverência ao Altar em sinal de veneração).
·        Usando a lógica, cada um faz a saudação ao altar conforme a ordem da procissão e o grau da hierarquia que cada um pertence.
·        Todos os ministros do Altar vão aos seus lugares, e o Ministro que presidirá a Palavra se dirige ao Ambão e faz a saudação Em nome do Pai...
·        O sinal da cruz é feito por todos, mas o falar em Nome do Pai... é dito pelo Ministro;
·        A saudação ao povo com as fórmulas previstas pela Igreja (arqui)diocesana ou uma outra similar usando sempre o nós; (IGMR 50)
·        É colocado pelo Ministro ou o comentarista as intenções especiais que introduzam os fiéis na celebração do dia, (IGMR 51) se não foram mencionadas no comentário antes do hino de entrada. 
·        Aqui pode-se acolher além dos visitantes, também pode-se fazer um ato de acolhida da Imagem do Padroeiro do lugar. Logo em seguida, a introdução ao Ato Penitencial. (IGMR 51)
Ato Penitencial
·        O Ministro convida os irmãos para o Ato Penitencial. Após breve pausa de silêncio, é realizado por toda assem-bleia através de uma fórmula de confissão geral, concluído pela intercessão do Ministro: Que Deus tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados...;
·        Aos domingos, particular-mente no tempo pascal, em lugar do Ato Penitencial de costume, pode-se fazer a benção e aspersão da água em recordação do batismo. (IGMR 51).   Com a água já benta, os ministros podem aspergir sobre si e sobre os demais irmãos.
·        O gesto de lavar as mãos em recipientes como ato de perdão não está pres-crito, nem fomentado no Missal.
·        Uma procissão antes da Missa, em alguns lugares e dias, é aceito como Ato Penitencial da Missa, conforme a orientação da Conferência Episcopal.
Hino de Louvor
·        Depois do Ato Penitencial não é prescrito nenhum comentário, nem por parte do sacerdote, nem do comentarista. Pois, o Senhor, Tem Piedade de Nós que está prescrito que se cante ou reze depois do Eu confesso a Deus... (IGMR 52). já é a introdução ao Hino de Louvor.
·        O Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congre-gada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. (IGMR 53)
·        Então, o Glória não é um hino para a Trindade, mas exclusivamente é um hino cristológico. E o Missal nos diz que essa norma deve ser observada. Quando não se tem condições de cantá-lo, a Igreja nos pede que se reze, mas que não seja suprimido ou mudado por qualquer outro hino. 
Oremos (oração do dia)
·        O Ministro convida os irmãos a rezar dizendo Oremos; o Missal nos orienta que o celebrante fique em silêncio por alguns instantes, toman-do consciência de que todos estão na presença de Deus e formulando interiormente os seus pedidos. Logo sem seguida, se diz a Oração da coleta.  (IGMR 54)
·        Lembrem-se que as intenções especiais foram ditas no comentário antes do hino de entrada ou depois do da saudação a assembleia, antes do Ato Penitencial.
Liturgia da Palavra
·        É parte principal da liturgia da Palavra em que Deus fala ao seu povo. (IGMR 55)
·        O silêncio faz parte da Liturgia da Palavra, sempre depois de cada leitura, e após o término da reflexão. (IGMR 56)
·        Não é permitido trocar as leituras e o salmo respon-sorial, constituídos da Palavra de Deus, por outros textos não-bíblicos. (IGMR 57) Exemplo: Ler a biografia da vida de um santo, uma história da comunidade ou parte de uma Regra de vida de uma congregação religiosa.
·        Na celebração com o povo, as leituras e o salmo devem ser profe-ridas sempre do ambão. (IGMR 58) O Salmo Responsorial é Palavra de Deus, e por isso é aconselhável que siga a orientação da Igreja, na hora de proclamá-lo.
·        As leituras são proclamadas pelo leitor. (IGMR 59). Aqui evita-se teatralização, jogral, poesia que mostre a arte na substituição da leitura obrigatória da Palavra.
·        O Credo é símbolo ou profissão de nossa fé. Ele pode ser cantado ou recitado pelo Ministro com o povo aos domingos e solenidades. (IGMR 67)
·        As preces recebe o nome de Oração Universal. Normal-mente serão estas as séries de intenções: pelas neces-sidades da Igreja, pelos pode-res públicos e pela salvação do mundo, pelos que sofrem qualquer dificul-dade, pela comunidade local. (IGMR 69)
·        As preces são proferidas do ambão em primeiro lugar. (IGMR 71)
Rito da Comunhão


















·        Podem ser oferecidos flores, velas, também podem trazer em oferta os mantimentos para os pobres e a oferta em dinheiro para a manutenção do templo, que serão colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.
·        O canto do ofertório se prolonga até que os dons tenham sido colocados junto ao altar.
·        Não está prescrito o uso da Oração sobre as Oferendas. Porém, a comissão para a Liturgia da CNBB em 2001 fez Esta oração é substituída com um Momento de Louvor dialogado pelos dons apresentados.















































































Rito Final
·        Terminado o Momento de Louvor, os Ministros da Comunhão recebem das mãos dos acólitos o corporal, estende sobre o Altar, e logo em seguida trazem a Eucaristia para o breve momento de adoração silenciosa de que deve ter antes da oração do Pai Nosso. Todos se ajoelham em sinal de adoração.
·        O próprio Ministro da Comunhão designado antes da celebração para este momento, convida o povo a rezar a Oração do Pai Nosso.
·        Notem que a celebração é realizada por 2 Ministros, 1 da Palavra e 1 da Comunhão, caso o Ministro não tenha os dois ministérios. Caso o ministro que presidirá a celebração tenha os dois ministérios, ele pode fazer a celebração por inteira.
·        Lembramos ainda que a celebração é conduzida por por um Diácono ou um Seminarista que foi admitido às Ordens Sacras e têm os dois Ministérios de Leitor e Acólito.
·        O Terminando o Pai Nosso, reza-se a Oração da Paz, sem fazer o embolismo.
·        Assim como na Missa, obedece a Igreja, onde não se canta para a paz e tão pouco se canta o Cordeiro de Deus.
·        Na hora da paz ou antes do momento de distribuir a Comunhão, os Ministros se dirigem à credência para purificar as mãos. Estes podem ser ajudados pelos acólitos.
·        O Ministro designado antes da celebração para este momento apresenta a Eucaristia e diz: Meus irmãos e irmãs, participemos da comunhão do Corpo do Senhor em profunda unidade com nossos irmãos que, neste dia, tomam parte da celebração eucarística, me-morial vivo da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo...
·        Depois, um Ministro comunga e dar a comunhão aos demais colegas, caso tenha mais de um. E os que comungaram e foram escalados para aquela celebração vão ajudar a distribuir a Santa Comunhão.
·        Não é permitido que os fiéis recebam por si mesmos a Eucaristia e muito menos passar de mão em mão entre si. (IGMR 161)
·        Terminado a santa comunhão, deve-se guardar um pouco de silêncio para a oração pessoal.
·        Para completar a oração do povo de Deus e encerrar todo o rito da comunhão, se faz um momento de Ação de Graças.
·        Apresentem-se os avisos
·        E pede a Benção Final e o canto de despedida.

José Wilson Fabrício da Silva, crl
Bibliografia:
INTRODUÇÃO GERAL SOBRE O MISSAL ROMANO: TERCEIRO COMENTÁRIO; Comentário de J. Aldazábal. 4ª Ed., São Paulo: Paulinas, 2011.
MANUAL DO MINISTRO EXTRAORDINÁRIO DA SAGRADA COMUNHÃO (MSC). 4ªEd. Curitiba: Mult-Graphic – Artes Gráficas Renascer Ltda, 2005. Pág. 70-77.
CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Redemptionis Sacramentum. Vaticano: Ed Vaticana, 2004.



segunda-feira

A Igreja, o uso da ladainha e a exaltação a Nossa Senhora

Por que a Igreja aprova o uso das ladainhas a Nossa Senhora na devoção Popular? Porque é um costume antigo e salutar na vida da Igreja. Os cristãos, desde os primeiros séculos, utilizavam-se da ladainha como uma das formas de rezar bem conhecida e fácil de aprender na Igreja no Oriente, estendo depois a Igreja no Ocidente. Junto com a utilização da iconografia para ajudar na catequização dos novos cristãos, a Igreja aceitou o uso de orações que poderiam ser decoradas e repetidas, para melhor vivência da fé. O próprio Jesus ensinou a seus discípulos a rezarem o Pai-Nosso (Lc 11, 1-4). No próprio Rito do Sacramento do batismo está prescrito que se faça uma breve ladainha, pedindo a intercessão dos santos. “Ladainha” é uma palavra grega que significa “súplica”. É um conjunto de orações que consiste essencialmente em certo um número de invocações dirigidas a Deus, à Virgem Maria ou aos santos, e termina-se com um pedido feito no final de cada frase, formando uma prece abreviada, por exemplo: rogai por nós, tende piedade de nós, nós vos louvamos Senhor, etc.

            Iremos nos ocupar em analisar a tão conhecida “Ladainha Lauretana” de Nossa Senhora que oferece a quem reza um resumo dos títulos de honra, de veneração e amor que a Igreja, depois de uma profunda experiência de fé e reflexão teológica, dedicou à Mãe de Deus[1]. É importante lembrarmos aqui que toda a oração antes de ser publicada para o uso público ou privado da Igreja, deve ter o cuidado de ser analisada e corrigida se preciso for, para depois receber o “imprimatur” do Bispo ou Superior, chegando ao povo de Deus como uma oração saudável e livre de todo o erro doutrinal contrário ao Depósito da Fé.
            Na ladainha, antes de começar as invocações á Nossa Senhora, prostramo-nos diante de Deus, Fonte Primeira de todo dom, reconhecendo sua divindade, pedindo-lhe misericórdia porque somos pecadores. Depois, voltamos as nossas súplicas a Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso único mediador junto do Pai, para que ele nos atenda; e, por fim, imploramos a cada uma das Pessoas da adorável Trindade que tenha piedade de nós. Terminando assim, nos voltamos à Mãe Maria com diversos títulos memoráveis para que não deixe de rezar por nós junto a seu Filho.
            Qual é o objetivo de comparar a Virgem Maria com diversos objetos, astro, construções e darmos a ela diversos títulos de honra e realeza que esta ladainha nos trás? O objetivo principal é exaltar as grandezas da “Mulher”[2] que gerou o Deus feito Homem que esmagou a cabeça do inimigo de nossas almas com sua Morte de cruz e Ressurreição. Em cada título dado a Mãe de Cristo, vemos expressas a sua dignidade, suas virtudes, o poder de sua intercessão e a glória de Deus em que ela foi envolvida. Não são meras repetições de palavras, após cada invocação, nem muitas invocações que utilizamos para que Maria nos escute. Mas, a Igreja, nestas tantas recitações, diz o que acredita ser Áquela que o Espírito Santo precisou para fecundar a Palavra que se fez carne e habitou no meio da humanidade[3].
            Nas invocações que formam a ladainha encontramos os qualitativos mais honrosos que mostram a humildade de Nossa Senhora, e, ao mesmo tempo a sua grandiosa importância na participação do Plano Divino da Salvação. O povo de Deus a chama de Mãe de Jesus CristoMãe da divina GraçaMãe do SalvadorMãe do Bom ConselhoMãe do Criador (não mãe de Deus Pai, mas mãe da Palavra do Pai que cria tudo pela ação do Espírito Santo) – Mãe AmávelMãe AdmirávelMãe ImaculadaMãe PuríssimaMãe Castíssima – e Mãe Intacta. A Igreja se sente satisfeita por assim honrar a divina maternidade de Maria, fazendo cumprir a profecia que a própria Mãe de Jesus proferiu sobre si: “Todas as gerações hão de me chamar bem-aventurada” (Lc 1, 48).
            Santo Agostinho comentando o Salmo cento e quarenta e oito nos mostra um motivo grandioso, depois do objetivo principal da Encarnação de Jesus Cristo. O objetivo principal da Encarnação do Filho de Deus foi para Salvar a humanidade de seu pecado (Lc 1, 77), Anunciar o Reino (Mt 3, 2) e abrir a porta do Paraíso ao homem redimido (Lc 23, 43). O motivo grandioso foi instituir a Igreja: O Verbo fez-se carne para ser a Cabeça da Igreja. O mesmo Verbo certamente não é parte da Igreja, mas foi para fazer-se Cabeça da Igreja que se tornou Carne. (cf. AGOSTINHO, 2014)[4]
            A piedade cristã ao longo dos séculos teve a necessidade de confessar sem cessar o honroso voto de Pertença do corpo e da alma de Maria a Deus, quando nunca deixou de clamar: Virgem PrudentíssimaVirgem VenerávelVirgem Louvável Virgem Poderosa (por ter o privilégio de está ao lado de Cristo e poder dialogar com ele na Glória) – Virgem BenignaVirgem Fiel. À luz da cristologia não encontramos nenhum exagero em chamar Maria assim, porque não é somente Jesus que é louvável, venerável, prudentíssimo e poderoso por ser o Messias de Deus, mas sua Mãe também assim se torna, não pelos seus méritos, mas pelos méritos de Cristo, pois, Jesus é carne da carne de Maria, sangue do sangue de Maria. É certo que à luz da razão humana os títulos de “virgem” e “mãe” parecem incompatíveis, mas, pela fé e poder de Deus, em Maria unem-se de modo excelente por um privilégio de Deus Pai. Os fiéis católicos, em união com a Mãe Igreja, para oferecer um ato de reparação à augusta Mãe de Deus, tão frequentemente ultrajada pelos incrédulos, apóstatas, hereges e libertinos, procuraram fazer um ato de reparação a Maria com essas invocações tão profundas que acabo de citar aqui neste parágrafo.
            Para dar continuidade “as glórias de Maria”, como dizia Santo Afonso, foi-se acrescentando belas imagens comparativas com a esposa de São José, trazendo certos termos imponentes que traduz o pensamento dos devotos da Senhora, filha de São Joaquim e Santa Ana.  Eis como os filhos da Igreja viram a Mãe de seu Senhor: Espelho de JustiçaVaso EspiritualVaso HonoríficoVaso insigne de devoção – uma Rosa Mística – uma Torre de Davi – uma Torre de MarfimCasa de ouroArca da Aliança – e uma Porta do Céu. Aqui encontramos em diversas palavras o que o povo cristão sente quando olha para a Virgem e Mãe em diversas partes do mundo: Fátima (Portugal), Belém do Pará (Brasil), Lurdes (França), Aparecida (Brasil), Buenos Aires (Argentina), Passira (Brasil), Czestochowa (Polônia), Montserrat (Espanha), Schoenstatt (Alemanha).
            Acaba este esplêndido quadro exaltando a misericordiosa bondade da Senhora de todos os povos, raças e línguas, onde em todas as partes é chamada de Estrala da Manhã – que clama pela Saúde de Enfermos – é Refúgio dos pecadores – é Consoladora dos Aflitos – e Auxílio dos Cristãos. Nestas invocações a Igreja procurou fazer uma leitura à luz das passagens bíblicas que apresentam Maria que reza implorando a ação do Espírito Santo e intercede pelos necessitados (Jo 2, 5; At 1, 14).
            Segue as invocações feitas a Nossa Senhora, exaltando a glória que ela foi elevada e proclamada como Rainha de tudo o que foi criado, sendo a primeira criatura redimida pelos méritos de Cristo. E, respeitando a hierarquia celeste, os filhos da Igreja aclamam: Rainha dos AnjosRainha dos PatriarcasRainha dos ProfetasRainha dos ApóstolosRainha dos MártiresRainha dos ConfessoresRainha das Virgens – e Rainha de todos os Santos.
            Termina a ladainha exaltando a pureza da Virgem Maria e a riqueza do rosário como um meio de contemplação dos principais mistérios da vida de Cristo: Rainha Concebida sem pecado originalRainha do Santo Rosário. E, pede pela família e pela paz no mundo: Rainha da FamíliaRainha da Paz.
            Se observarmos com atenção, vemos que novamente terminamos a ladainha nos voltando para Jesus o Cordeiro de Deus, aquele que tira todo o pecado do mundo. E nos despedimos de Maria, pedindo que ela rogue por nós, para que sejamos todos dignos das promessas de Cristo, porque ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de todas as coisas[5].
Na Liturgia a Igreja dirige-se normalmente a Deus Pai, comemora as maravilhas realizadas em Cristo, em Maria e nos santos em geral. Pouquíssimas vezes a Igreja se dirige diretamente a Maria, a não ser em alguns hinos, antífonas ou responsórios... Antropomorficamente podemos dirigir-nos a Maria, como filhos e filhas seus. (cf. MARIA, 2015)[6]
            A Igreja aprova o uso das ladainhas porque tem consciência de que por meio dessa forma de rezar não é errada, nem estéril. As honras que se prestam ao representante de um rei, referem-se ao próprio rei. Do mesmo modo, quando honramos os santos e a Nossa Senhora, nossa homenagem eleva-se até Deus nas virtudes dos santos. São Paulo pela iluminação do Espírito Santo em certa altura da vida chegou a confessar: Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gl 2, 20), provando-nos assim de que a vida de todos os santos chegou ao grau mais elevado e perfeito do homem, que é o de se parecer em tudo com Cristo pela vivência da sua palavra. Em Maria esta graça deve se multiplicar porque ela não apenas procurou viver na graça de Deus, mas foi escolhida para ser a Mãe do próprio Deus (Lc 1, 43).
            Lutero fazendo o seu comentário sobre o Magnificat de Maria, chegou em certa altura a dizer que se a Mãe de Jesus houvesse dito que a “sua alma engrandeceria a si mesma”, com certeza após a sua morte, sua alma “teria caído no inferno com Lúcifer (cf. Isaías 14, 12)”. Mas, Maria engrandece exclusivamente a Deus e atribui tudo de si somente a ele. Ela acreditou que Deus realizou em seu corpo e em sua alma uma grande obra. Mas ela não se considerou maior do que a pessoa mais humildade da terra. Maria teve este pensamento: se outra jovem tivesse sido beneficiada por Deus, ela também desejaria alegrar-se e querer tudo de bom para essa jovem. Maria foi um alegre albergue e uma serviçal anfitriã de Jesus. Por isso ficou com tudo para sempre. (cf. LUTERO, 2015)[7]

Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl
Membro da Academia Marial de Aparecida

fonte: http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/a-igreja-o-uso-da-ladainha-e-a-exaltacao-a-nossa-senhora





[1] COMISSÃO LITÚRGICA DO GRANDE JUBILEU DO ANO 2000. Abba, Pai. São Paulo: paulinas, 1999. pág. 129
[2] cf. Gêneses 3, 15.
[3] cf. João 1, 14.
[4] AGOSTINHO, Santo. A Virgem Maria: Cem textos marianos com comentários. 7ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2014. pág. 64.
[5] cf. Apocalipse 22, 13
[6] MARIA: trono da sabedoria/ Valdivino Guimarães, (organizador). – Aparecida, SP: Editora Santuário, 2015. pág. 97.
[7] LUTERO, MARTIN. Magnificat: O louvor de Maria. Aparecida: Editora Santuário; São Leopoldo: Editora Sinodal, 2015. pág. 23

quarta-feira

A IMITAÇÃO DA VIRGEM MARIA



A Virgem Maria é aquela que na Santa Igreja ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós[1].

Qual deve ser o comportamento ou o fruto de nossa devoção à Santíssima Virgem Maria? A resposta que podemos dar é a imitação de suas virtudes em primeiro lugar. Sem esta imitação, segundo a afirmação de alguns santos, não podemos ter verdadeira devoção à Maria Santíssima. Enganar-se-ia grandemente quem julgar-se fazer muito, recorrendo a Maria sem procurar espelhar-se nela.
É preciso imitar a sua humildade e suas outras virtudes. Sem isto, sempre se deve julgar que nada se tem feito, pois a verdadeira prova de amor que podemos dar a alguém é a fidelidade e a atenção a tudo o que o amado nos ensina. Maria deu uma ordem que pode santificar qualquer pessoa: “Façam tudo o que Jesus vos disser” (Jo 2, 5). Se imitarmos a ela, iremos ouvir cada palavra dita a nós pelo Salvador nos Evangelhos, procurando com todas as forças “guardar no coração” (Lc 2, 19) e “colocar em prática o que ouvimos” (Mt 28, 20)
Imitar a Maria é nunca perder de vista o nosso fim último (o céu), procurando aplicar-se nas práticas virtuosas, nas quais ela mesma nos deu o exemplo: O serviço da Caridade para com o próximo (Lc 1, 39), a prática da Oração que denunciava sua fé inabalável (At 1, 14), a Escuta da Palavra que demonstra seu terno amor a Jesus Cristo (Lc 2, 19) e viver em estado de Humildade profunda (Lc 1, 38), procurando sempre ser submisso à vontade de Deus em uma vida simples e silenciosa.
Celebrar a memória da Virgem Maria em todo o tempo litúrgico e lugar, não é para a Igreja um momento de despertar nos batizados uma estéril admiração, mas é uma pedagogia que procura conduzir-nos à prática das virtudes heroicas que a Mãe de Deus nos deu como exemplo.
Nossa Senhora elevou o ordinário da vida humana ao mais alto grau de perfeição, porque procurou conservar a força do Espírito Santo de Deus que estava sobre ela.
O Evangelista São Lucas nos apresenta dois fatos importantes sobre a vida de Maria: o primeiro que o Senhor estava sempre com ela (1, 28); e o segundo, que o Espírito Santo desceria sobre ela, e o poder do Altíssimo a cobriria com sua glória (1, 35). Nós também, pela graça do Batismo, somos envolvidos pelo “poder do Altíssimo” e nos tornamos “membros do Corpo místico de Cristo”, por isso, no ordinário de nossa vida somos convidados a imitar as atitudes da Mãe do Senhor – no qual pertencemos por herança batismal – para alcançarmos a coroa da justiça (II Tm 4, 8). Ela é incomparável a nós, por causa de sua pureza, onde jamais conheceu o pecado (Gn 3, 15), por motivo de sua missão de ser a mãe do Verbo (Jo 1, 14). Porém, em sua fé e vida, por ser criatura de Deus, é igual a nós em tudo, podendo assim ser modelo de fiel seguimento a Cristo para cada pessoa de fé.
Maria mostrou a sua humildade, apesar de sua tão elevada dignidade. Teve o cuidado de deixar escondidos no silêncio de sua casa os dons magníficos de Deus. A vizinhança da casa de Nazaré jamais ficou sabendo pela boca dela que seu amado Filho era Deus; que seu esposo São José era um homem casto, e, que ambos ouviram a voz do Arcanjo Gabriel. E, tão pouco sabemos os detalhes de como fora os três meses de serviços prestados por Maria na casa de Zacarias antes do nascimento de João.
Enfim, Nossa Senhora se esforçou por viver sempre uma vida oculta, fugindo de tudo aquilo que pudesse atrair-lhe elogios. Até mesmo Jesus procurou deixar a sua santa mãe protegida do orgulho social, quando disse a uma mulher que “levantou a voz no meio da multidão e exclamou: “Feliz o ventre que te trouxe ao mundo e os seios que te amamentaram”. Jesus de imediato respondeu: “Felizes, mais ainda, são os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (cf. Lc 11, 27-28). Santo Agostinho nos diz que nesta passagem bíblica a Virgem Maria foi louvada por Jesus duplamente porque foi apresentada como aquela que primeiro acreditou, depois gerou-o e continuou ouvindo a Deus, guardando a palavra em seu coração (Lc 2, 19).
A Virgem Maria não ignorou a grandeza dos privilégios com que fora enriquecida, porque no seu hino a Deus ela disse: Minh’alma engrandece ao Senhor, e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador... que fez em mim grandes coisas (Lc 1, 47.49). Porém, não deixou de ter humílimos sentimentos de si mesma, tendo sempre os olhares fitos no seu nada, não se lembrando das graças de Deus, senão para glorifica-lO e nunca se prevalecendo disto para colocar-se acima dos outros.
 
À luz dos poucos versículos dedicados à vida da Virgem Maria na Bíblia, vemos que sua humildade lhe mereceu a honra de ser escolhida para a Mãe de Deus
À luz dos poucos versículos dedicados à vida da Virgem Maria na Bíblia, vemos que sua humildade lhe mereceu a honra de ser escolhida para a Mãe de Deus, e, em seguida, elevada acima de todas as criaturas. No século XX Igreja procurou colocar no Concílio Vaticano II, cinco importantes cabeçalhos para a sua Doutrina sobre a Virgem Maria que não devemos esquecer, se quisermos meditar sobre sua missão na vida do povo de Deus: I) O papel da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no Mistério de Cristo e da Igreja. II) O papel da bem-aventurada Virgem na economia da salvação. III) A bem-aventurada Virgem e a Igreja. IV) A devoção à bem-aventurada Virgem Maria na Igreja. V) Maria, sinal de esperança e consolo para o povo de Deus em peregrinação. Com estes títulos vemos que a Mãe de Deus não é um tema sem importância e interesse para o cristianismo moderno. A Igreja procurou mostrar que sua admiração, emotiva e fervorosa, se esforça para tirar dos conceitos humanos adequadas afirmações, afim de aplicar ao Mistério da Salvação, procurando dar a conhecê-lo aos homens.
         
          José Wilson Fabrício da Silva, crl
(Cônego Regular Lateranense – Membro da Academia Marial)

Bibliografia: 
VATICANO II. Mensagens, Discursos e Documentos. 2ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2007.
COYLE, Kathleen. Maria tão plena de Deus e tão nossa. São Paulo: Paulus, 2012. págs. 46-47.
BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB. Brasília: Edições CNBB, 2012.



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