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sexta-feira

A relação histórica da Virgem Maria com o Brasil

Brasil, nomeado logo nos primórdios de sua ocupação pelos portugueses no século XVI de “Terra de Santa Cruz”. Chegava ao “novo mundo” trazida pelos europeus uma “imagem de Nossa Senhora da Esperança”, devoção particular do comandante Pedro Álvares Cabral. Aqui começa uma história de relação, até então conhecida, entre a figura da Mãe de Jesus e o Brasil. Portanto, o nosso país foi “descoberto” sob o olhar terno e protetor também da Virgem Maria.
1717: três pescadores, uma rede e um milagre!
Passados mais de dois séculos após o episódio do descobrimento do Brasil, categoricamente vemos uma intervenção da Mãe de Deus em terras brasileiras no ano de 1717. Podemos dizer que (a vila de Guaratinguetá) “Aparecida”, entra para a história como um evento misterioso da parte do céu em busca de justiça pela causa dos menos favorecidos explorados, onde sua maior riqueza era o dom da fé. Maria passa a fazer parte da identidade do povo brasileiro. Por tanto, não se trata apenas de um acontecimento religioso, mas também, político, social e cultural, que não devemos deixar passar inadvertido nestes festejos pátrios dos 300 anos em que o Brasil celebra o encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
O agora tão conhecido escritor e repórter Rodrigo Alvarez pelos amantes de documentários, procurou retratar estes fatos em seu livro “Aparecida: A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil”. No capítulo vinte e sete, apresenta um dado histórico que me fez pensar e rezar sobre ele; pois, ao afirmar que a Princesa Isabel não se tornou rainha do Brasil por vários motivos de outros interesses que não eram os da monarquia, mesmo assim, não deixou o país sem uma Realeza:
Depois da oração, a coroa que a princesa Isabel dera de presente foi recolocada sobre a cabeça da santinha. Deixou de ser só um ornamento luxuoso que se juntava ao manto azul e lhe escondia a feiura do pescoço quebrado para se transformar num símbolo de poder. Era curioso. O Brasil ainda estava acostumado a viver numa República, sem nobres herdados de Portugal, mas passava a ter, tardiamente, uma rainha. Era um passo decisivo para a consolidação de uma imagem nacional que se completaria algumas décadas depois com sua proclamação como padroeira do Brasil.[i]
Coroa de ouro doada pela Princesa Isabel
Pensando sobre a fecundidade do Ano da Graça que estamos experimentando com o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima e o tricentenário do encontro prodigioso da Imagem da Imaculada em Aparecida, senti no coração o desejo de expressar um humilde pensamento à luz da mariologia encarnada na vida do povo, chegando a conclusão de que tanto em Fátima ou em Aparecida, nossa gente se ver na casa e na escola de Maria. Quais os fatores que me faz afirmar isto? Vejamos. 
Santuário Nacional, ponto de encontro do Catolicismo brasileiro
É fato, pelo menos uma vez em cada ano, milhões de brasileiros se preparam para visitar “a casa da Mãe”. São dias de preparação, horas de viagem, para ficarem breves minutos diante da Imagem milagrosa de Nossa Senhora em Aparecida. Para o romeiro, não existe cansaço que impeça a repetição anual deste ritual para chegar ao Santuário. Incluo aqui o pensamento da Dra. Lina Boff, para nos ajudar a compreender este sentimento de pertença dos peregrinos para com o Santuário Nacional do Brasil:
Nas romarias as pessoas refletem sobre a vida e transitam no seu coração para se encontrarem a si mesmas. Fazer uma reflexão significa meditar tanto sobre as coisas mais simples como as mais complicadas da própria vida, da vida da sociedade e do mundo para buscar um sentido profundo de como viver.
A vivência da fé, do culto e da devoção a Nossa Senhora, que nos aponta Jesus, significa trazer para o tempo presente as experiências que nos deram vitalidade e também aquelas que atrapalharam a nossa caminhada de vida. Trata-se de revitalizar todas as dobras do nosso coração, dentro das quais se escondem as nossas conquistas, mas também os nossos fracassos e frustações.[ii]
“É como se estivesse em casa”, assim se sente e expressa um fiel devoto da Virgem Aparecida. Eis a grande responsabilidade dos Missionários Redentoristas! Cuidar bem do povo peregrino, pregar a sã Doutrina, insistir com os visitantes na vivência cotidiana dos sacramentos nas mais diversas comunidades católicas espalhadas em nosso imenso Brasil. Os devotos que visitam o Santuário sabem muito bem que não estão ali por mera tradição familiar, nem porque gostam de fazer turismo religioso. Se estão no Vale do Paraíba, é porque acreditam que lá a Mãe de Jesus escolheu para mostrar a sensibilidade de Deus para com o povo brasileiro.
Santuário Nacional de Aparecida
Em todos os lugares reconhecidos pela Igreja, por causa das manifestações marianas, Aparecida ocupa um lugar especial, constituindo pouco a pouco, parte da cultura brasileira. Hoje, mesmo aqueles que não creem, sabe que o Brasil deixou cativar seu coração pela Imaculada representada na imagem quebrada encontrada no Vale do Paraíba. Ali não aconteceu uma verdadeira aparição, no sentido minucioso da palavra, mas fomos surpreendidos por uma constelação de sinais vindo dos céus e de manifestações de fé de todas as classes sociais nestes trezentos anos. Diante do fenômeno de Aparecida, acorreram escravos, portugueses, índios, ricos, pobres, gente do Sul e do Norte, do Leste e do Oeste do Brasil e do mundo.
Utilizando o termo técnico da mariologia para se falar do Brasil, não temos dúvida de que em Aparecida aconteceu uma mariofania (manifestação da intervenção da Virgem Maria no meio do povo). Em outras palavras, houve uma ação sobrenatural, desconhecida e inexplicável cientificamente nos comprovados “milagres” reconhecidos pela Igreja que ganhou um significado espiritual: “A Virgem Maria libertou o escravo, curou a cega, fez parar o cavalo na entrada da capela, apagou e fez acender as velas sobre o “altar da santa” e fez aparecer os peixes para alimentar miraculosamente, inclusive, os exploradores dos pobres da Vila. Se em Caná da Galiléia a Mãe de Jesus disse: “Eles não têm mais vinho”, em Aparecida ela disse: “Eles não têm mais peixe”. Conforme Messori, dizemos:
Em Jesus, a fé vê Deus quem vem até o homem. Em Maria, descobre a criatura humana que é elevada até Deus. A humildade do Criador e a dignidade da criatura. É a dinâmica do “duplo movimento” (alto e baixo) sobre o qual se constrói todo o cristianismo. Da síntese dessas duas realidades nasce a fé autêntica.[iii]
 
No Brasil a Virgem é representada de mãos postas no séc. XVIII, na França “passa as contas do rosário nos dedos de suas santas mãos” no séc. XIX, em Portugal ela convida os santos pastorinhos de Fátima a “rezar e oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores” no séc. XX.
À luz desta afirmação, podemos ter a certeza de que no Brasil, a Virgem Maria fez brilhar a glória de Deus por meio de sua intercessão. A Igreja, reconhecendo os feitos realizados pela Mãe do Senhor aqui nestas terras, repete com todas as gerações a saudação de Isabel: “Tu és bendita mais do que todas as mulheres; bendito é também o fruto do teu ventre (cf. Lc 1, 42). Para os brasileiros, cada Ave Maria deve ser uma profissão de fé na maternidade divina.
No Brasil a Virgem é representada de mãos postas no séc. XVIII, na França “passa as contas do rosário nos dedos de suas santas mãos” no séc. XIX, em Portugal ela convida os santos pastorinhos de Fátima a “rezar e oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores” no séc. XX. Sendo assim, os mistérios que contemplamos em cada dezena mostram a união entre Jesus e Maria, manifestam e lembram novamente a cooperação de Mãe de Jesus na obra da Redenção, realçando o direito que ela tem à nossa particular veneração. O próprio Filho benditíssimo de Deus não quis entregar a sua vida em sacrifício, sem a presença daquela que lhe deu a existência humana, indicando assim o papel importante de Maria Santíssima no Mistério da Reconciliação do mundo. Repito, em Aparecida, Nossa Senhora de mãos postas em prece, obriga a todos nós a reconhecer sua grandeza diante de Deus e sua maternidade no meio de nós.

Cônego José Wilson Fabrício da Silva, crl
Membro da Academia Marial de Aparecida

[i]           ALVAREZ, Rodrigo. Aparecida: A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil. São Paulo: Globo Livros, 2014, p. 182.
[ii]             BOFF, Lina. Aparecida: 300 anos de romaria e prece. São Paulo: Paulinas, 2017, pp. 11-12.
[iii]             MESSORI, Vittorio. Hipóteses sobre Maria: Fatos, indícios, enigmas. Aparecida: Santuário, 2014, p. 184.
Fonte: http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/a-relacao-historica-da-virgem-maria-com-o-brasil

Aparecida, nova Nazaré, casa de Maria!

nicho aparecida
Temos vários comentários, livros, artigos, poemas e obras de arte que procuraram expressar, não somente um sentimento afetuoso, mas também, uma consciência de fé muito segura, quanto ao artigo do Credo cristão católico que coloca em nossa boca o seguinte argumento: “E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Eis o motivo que a teologia se dedica em aprofundar seus estudos sobre a vida e a missão da filha bendita de Joaquim e Ana, dentro da Economia da Salvação.
Não podemos viver um cristianismo sem pensá-lo, como dizia Santo Agostinho: “A fé e a razão são duas asas que nos levam para Deus”. Mistérios da Fé que envolve o poder e a ação da Trindade, não se provam em laboratório, nem pelas avançadas máquinas do mundo da ciência, mas podemos contemplá-los e comentá-los à luz dos métodos lícitos e reconhecidos da teologia. Pensar e crer, assim deve ser; trabalhar e rezar, meditar e aceitar a ação salvadora de Deus no mundo.
Quis o Senhor se revelar, procurando fazer isto da melhor forma possível que achou, afim da humanidade não ter repulsa à sua ação, nem achasse simples demais tal evento, sendo obra de um Deus tão grande. A Virgem Maria participa de uma forma ativa e dinâmica do feitio de Revelação que o Todo-poderoso utilizou afim de fazer-se conhecido pelos homens. Mesmo sendo preparada a uma missão que lhe imprimiria um caráter indelével, como o foi de fato, poderia Deus usá-la, sendo um mero instrumento, e depois deixar que Maria fosse viver sua vida, como se nada lhe tivesse acontecido, inclusive usufruindo dos prazeres mais horrendos do mundo. Porém, não foi assim, porque a Virgem filha de Sião[1] não foi meramente “usada por Deus”, mas obteve a graça de ser colaboradora do Senhor na restauração da vida da humanidade e na morte definitiva do pecado.
A perversidade foi extirpada do processo de concepção e formação dos membros e do gênio sacrossantos de Maria no ventre de Ana. O pecado (ou o domínio propenso para o mal), já nasceu morto como um aborto nas entranhas da esposa de São Joaquim, mesmo sendo ela uma pecadora que achou graça diante de Deus para ser avó de Jesus. Simplificando este argumento teológico delicado e perigoso, podemos dizer: assim como uma mãe grávida esperava um filho e fazia votos de que ele nascesse “todo perfeito”, tendo a consciência de que deveria ser normal em tudo, inclusive nas práticas de pecado, Ana assim esperava no nascimento de qualquer filho que de seu ventre saísse, como todas as mães da Judéia. Mas, Deus permitiu que Maria viesse ao mundo perfeita em tudo, igual a antiga Eva antes da queda, porém sem “a tendência ao pecado”. Sendo assim, Maria tinha uma deficiência aos olhos do mundo infrator, pois disposição à transgressão, frente à ordem natural e divina, não fazia parte do arquétipo genético da filha de Joaquim, pois o protótipo de Maria sem ultrapassar as leis humanas, teve a ação direta das mãos e do coração de Deus.
No nascimento da κεχαριτωμένη[2] se cumpriu a profecia promulgada pelo próprio Senhor: “Porei inimizade entre ti a Mulher” (Gn 3, 15). No fundo, não há muita discordância em relação às traduções[3]. Aqui vemos a grandeza do Senhor na vida da Mãe de Jesus o Cristo. Outro dado que devemos olhar com atenção deve ser colocado sobre o encontro da Virgem Maria com Isabel, grávida também, fruto de um episódio miraculoso. Da esposa de Zacarias nasceu João Batista. A frase a qual nos referimos para que tenhamos aplicação se encontra em São Lucas (1, 43), e conta a satisfação de Isabel pela presença da filha de Santa Ana em sua casa: “Donde me vem a honra que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”. Quem fala aqui é aquela que disse: “Isto fez por mim o Senhor, quando se dignou retirar o meu opróbrio perante os homens”[4].
Não nos esqueçamos de que o dogma fundamental de todo o cristianismo é de “Jesus Deus”, o Verbo de Deus encarnado (Jo 1, 14), logo Maria, sua Mãe, é Mãe de Deus ( Lc 1, 43). Trata-se, pois, de algo expresso e claramente revelado por Deus na Sagrada Escritura, confirmado para sempre pela Igreja no Concílio de Éfeso[5] como verdade de fé. Citemos as palavras de São Gregório de Nazianzo do século IV para expressar esta grandiosidade:
O próprio Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, o invisível, o incompreensível, incorpóreo, princípio que procede do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a expressão do arquétipo, divino, o selo inamovível, a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai, vem em ajuda da criatura feita à sua imagem, e por amor do homem se faz homem. Para purificar aqueles de quem se tornou semelhante, assume tudo o que é humano, exceto o pecado. Foi concebido por uma Virgem, já santificada pelo Espírito Santo no corpo e na alma, para honrar a maternidade e ao mesmo tempo exaltar a excelência da virgindade; e assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus, uniu em si mesmo duas realidades contrárias, a saber, a carne e o espírito. Uma delas conferiu a divindade, a outra recebeu-a.[6]
Percebemos aqui o grande papel de Maria na história da Salvação, estreitamente unido ao mistério de Cristo e da Igreja. Não temos que perder estas referências essenciais dadas à doutrina cristológica, oferecendo a Mãe de Jesus o justo lugar, descobrindo sua vasta e inesgotável riqueza oferecida ao campo da fé verdadeira.
 
Em Aparecida conseguimos experimentar os aspectos centrais da Mariologia, porque a Igreja Peregrina pode ser facilmente identificada aos pés da Imagem da Imaculada.
Em Aparecida conseguimos experimentar os aspectos centrais da Mariologia, porque a Igreja Peregrina pode ser facilmente identificada aos pés da Imagem da Imaculada. Levando em conta a relação do povo de Deus com os mistérios da fé, a Virgem Mãe recebe um trato específico, porque não se pode negar, até pelos mais ferrenhos críticos, que sua missão na história da Salvação foi e é importante, tornando-se até hoje um fato mistérico, digno de fé, incompreensível à razão humana, mas credível e aceitável ao coração de todo aquele que abraça a mensagem do Evangelho genuíno. O franciscano Raniero Cantalamessa no livro: “Maria um espelho para a Igreja”, afirma que “Nossa Senhora é, antes de tudo, um capítulo da Palavra de Deus”[7]. Seguindo as indicações do Concílio Vaticano II, ajudados pela Lumen Gentium no capítulo oitavo, entendemos o que autor italiano quis apregoar nesta obra:
De fato, chegou o momento de não mais fazer de Maria um motivo de discussão e divisão entre os cristãos, mas sim uma ocasião de unidade e fraternidade entre eles. Maria aparece-nos como o sinal de uma Igreja dos gentios, sendo por isso mesmo o mais forte para a unidade.[8]
Com efeito, o papel que Deus assinala na salvação do mundo com Maria, requer-se dos cristãos, não só uma acolhida e atenção, mas também gestos concretos que se traduzam na vida de todos os batizados. As atitudes evangélicas dAquela que precede a Igreja na fé e na santidade, devem fazer parte da nossa meditação cotidiana, afim de tornar-nos mais parecidos com ela diante de Deus, meta final e desejosa da parte do Senhor para todo o gênero humano. Não há mais tempo de nos apegarmos a ideologias contrárias à própria vontade da Trindade, quando o tema teológico é a pessoa da Mãe de Jesus. Sua missão na Igreja nunca sessou, pois, em toda vida da Comunidade, a Virgem Santa sempre reuniu filhos dispersos e os conduziu a Jesus.
Misteriosamente encontramos em diversas partes do mundo, lugares dedicados à Mãe de Cristo, vistos como oásis para os cristãos sedentos do socorro que vem do alto. Maria conduz todos para seu Filho: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). O povo acorre a estes centros de peregrinações atraídos pela Virgem Mãe e acaba se encontrando com Jesus Eucarístico nos altares principais dos santuários. Estas mesas sacrificais não cessam de alimentar a todo aquele que se coloca em marcha para receber “o Pão descido do céu” (Jo 6, 51). Repetimos, Aparecida é para todos os devotos um lugar de impacto entre Deus e seu povo, onde Maria é a medianeira. Olhar para pequenina Imagem lá em seu trono, ricamente trabalhado pela oferta generosa dos devotos, é ter a certeza que ali não devemos ter dúvida do amparo divino. As terras de Aparecida foram para nossos antepassados nestes trezentos anos, e é para nós e para as gerações futuras, uma terra hierofânica[9].
Totem marcará 300 dias para o Jubileu de Aparecida (Elisangela Cavalheiro)
Aparecida é a nova Nazaré, prepara por Deus para ser casa de Maria no meio de seu povo, lugar de visitação dos filhos da Igreja, casa de misericórdia, recinto operoso em que o Espírito Santo usa para dar vigor a uma parcela da Igreja Universal, assim como fez em Pentecostes (At 1, 14; 2, 1). Se “Fátima é o altar do mundo”, segundo São João Paulo II, Aparecida tem o manto azul de Maria que cobre todas as raças, povos, línguas e nações. Aqui entendemos, alegoricamente falando, que se o “povo brasileiro é conhecido como um povo hospitaleiro”, deve-se ao fato de sermos a Nação proprietária do manto da Mãe de Jesus. Debaixo deste manto, todos nós queremos estar. Deus tem sempre algo a dizer para cada pessoa em particular que estaciona o trem da vida, nem que seja por uns breves segundos, diante da Virgem de Aparecida e troca olhares com ela. Trago aqui umas das afirmações de Lutero, para ajudarmos nesta reflexão. Mesmo depois de acontecer a revolução de 1517, jamais deixou de ser um defensor e devoto de Nossa Senhora. Vejamos:
Deus não recebeu sua divindade de Maria; contudo, não segue que seja, por conseguinte, errado asseverar que Deus foi conduzido por Maria, que Deus é fruto do ventre de Maria, e que Maria resta a Mãe de Deus. Assim sendo, é a Mãe verdadeira de Deus, a portadora de Deus. Maria amamentou o próprio Deus; ele foi embalado para adormecer por ela, foi alimentado por ela, etc. Igualmente para o Deus e como o Homem: um único ser, um único filho, um único Jesus, e não “dois Cristos”. De tal modo, que sua criança não consiste em dois filhos (...) mesmo que tenha duas naturezas. É um artigo de fé que Maria é a Mãe do Senhor e, ainda, é virgem. (...) Cristo, cremos, saiu de um ventre que deixou perfeitamente intacto.[10]
A Mãe do Senhor exerce uma influência especial no modo de orar dos fiéis. A doutrina e o culto mariano não são frutos de um sentimentalismo. O mistério realizado na Virgem Maria é uma verdade revelada que se impõe à inteligência dos crentes. Aos que são membros da Igreja tem a missão de estudar e ensinar o que o Espírito Santo os conceder para aprofundamento da fé, quanto o assunto de nosso interesse for a união hipostática de Cristo, tendo como protagonistas principais o Pai e Maria.
O Concílio Vaticano II pediu que se evitasse o falso exagero (LG 67), a atitude maximalista que pretende estender a Virgem Mãe as prerrogativas de Cristo e todos os carismas da Igreja. Sempre é necessário manter a infinita diferença que existe entre a pessoa humana de Maria e a pessoa divina de Jesus, mas Jesus não poderia ser um igual a nós sem Maria, nem Maria poderia ser tão importante para Deus e para o mundo, se não fosse em função do próprio Jesus Cristo. Também exortou o Concílio que se evitasse a excessiva estreiteza do espírito minimalista que usa de interpretações exegéticas sobre os atos de culto, pretendendo reduzir, e até retirar a importância da Virgem Maria do Plano Divino da Salvação; assim como sua virgindade perpétua, sua santidade da vida e sua missão na Igreja, em nome de uma “teologia sadia”. Não nos esqueçamos de que o Vaticano II nos oferece um critério de discernimento majestoso que nos permite discernir sobre a autêntica doutrina mariológica: “Na santa Igreja, Maria ocupa o lugar mais alto depois de Cristo, e o mais próximo de nós” (LG 54).
Aqui nasce a necessidade de olhar para a Mariologia, acolhendo-a enquanto ciência e não um apêndice da Teologia. Tem um princípio próprio e fundamental que a faz distinguir formalmente das outras partes da Teologia. É a reflexão mariológica como uma fonte de unidade de todas as verdades cognoscíveis sobre a Mãe de Deus. Isto não é e não foi tão fácil! Até mesmo os teólogos cristãos se dividiram quando se falou deste assunto, ao pretender elevar a mariologia à categoria de ciência.
Aspiremos sempre a meditação sobre a importância da Virgem esposa de São José, afim de conhecer seu valor, munidos da Escritura e da magnífica Tradição bi-milenar da Igreja, assistida pelo Paráclito, mediante a ação do Magistério. Se acentuarmos nossa atenção, perceberemos que a Virgem Maria está presente nos três momentos constitutivos dos mistérios do Cristianismo, a saber, a Encarnação, a Páscoa e Pentecostes. A Encarnação aconteceu nela, em sua pessoa, em seu ventre que recebeu Jesus Redentor do mundo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Quanto ao mistério Pascal, ela estava aos pés da Cruz (cf. Jo 19, 25), testemunhando privilegiada e dolorosamente, nossa Redenção, realizada por seu Filho, que destruiu o pecado e fez nova todas as coisas (Ap 21, 5). Também estava ela em Pentecostes, na vinda do Santificador (cf. At. 1, 14), que prolonga na Igreja de Jesus Cristo a Redenção por meio dos Sacramentos. Então, Maria não pode ser excluída por simples gosto reflexivo do mistério do Reino de Deus que foi desejado pelo Pai, inaugurado por Cristo, indo historicamente constituindo-se pela Igreja através da ação do Espírito Santo, que nos encaminha para a realização plena na Eternidade. Por isto, este tema é muito apropriado, para compreendermos o valor da pessoa de Maria em Aparecida, a partir do conceito de Reino de Deus e da Eclesiologia.
Autor: Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl

Fonte: http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/aparecida-nova-nazare-casa-de-maria-1
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[1]      A Filha de Sião é primeiramente o povo de Israel, simbolizado pela própria cidade de Jerusalém, situada no Monte Sião. Israel, o da Antiga Aliança, pode ainda hoje escutar este convite à alegria, presente em tantos profetas: o Senhor não abandonou o Seu povo; vem a ele para salvá-lo nos apertos da história. O Senhor vem! E Israel, o antigo povo, continua a esperar o Messias prometido, como sinal da proximidade e da salvação abençoada do Senhor Deus. Mas, a Filha de Sião é também a Virgem Maria, que em si sintetiza e personifica o povo da Antiga Aliança. Isto aparece bem claro na Escritura se compararmos a profecia de Sofonias 3,14-17 e Lc 1,26-31. No Novo Testamento a Virgem Santíssima é declarada Filha de Sião, personificação doa antigo povo. Veja só, comparando os textos sagrados segundo Lucas e Sofonias: Sf vv. 14-15: “Rejubila, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel, alegra-te filha de Jerusalém!’ O Senhor revogou tua sentença, eliminou teu inimigo. O Senhor está no meio de ti: não verás mais a desgraça”// Lc v. 28: “Alegra-te, Cheia de graça! O Senhor está contigo!” – Sf v. 16: “Naquele dia será dito a Jerusalém: ‘Não temas, Sião! Não desfaleçam as tuas mãos!’”//Lc v. 30: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto de Deus!” – Sf v. 17: “O Senhor, o teu Deus, está no meio de ti, um herói que salva!”// Lc v. 31: “Eis que conceberás no teu seio (= dentro de ti, em ti) e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus (= o Senhor salva)!” Eis, portanto: Maria Virgem é personificação do Antigo Israel, mas é também prenúncio do Novo Israel, que é a Igreja: ela e a Igreja são a Mulher prenunciada por Gn 3,15, presente em Jo 2,4; 19,26; Gl 4,4; Ap 12,1ss. Aqui, damos um passo adiante: a Filha de Sião é a Igreja, prefigurada em Maria Virgem e Mãe: o Senhor que habitou no seio da Virgem promete que habitará sempre no seio da Virgem Igreja, Sua Esposa: “Eu, o Senhor, vou morar em teu meio!” Por isso a esperança, por isso a certeza da Mãe Igreja e de cada um de nós, seus membros e seus filhos: o Senhor está conosco! Mesmo nos maiores apertos da vida o Senhor Salvador que veio no Natal cumprindo as promessas antigas, continua no nosso meio, como Ele mesmo prometera: “Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” (Mt 28,20). É Ele que a Igreja espera, pois já conosco, manifestar-Se-á em glória no Seu Dia, Dia eterno, Dia bendito, Dia de salvação perpétua! Então, coragem: “Erguei-vos e levantai a cabeça, pois a vossa libertação está próxima!” (Lc 21,28). (Palavras de Dom Henrique Soares da Costa – Bispo diocesano de Palmares – PE).
[2]             Cheia de Graça.
[3]             Talvez é uma coisa boa ter presente, a forma verbal desse vocábulo, isto é, estamos diante de um particípio passivo. A voz passiva sublinha o fato de tratar-se de algo “sofrido”, isto é, não é a pessoa mesma que faz a ação, mas sofre a ação. Portanto, Maria foi “enchida” de graça! Este Dom não é algo que é inerente a ela mesma, mas foi um favor especial dado pelo próprio Deus.
[4]             Lc 1, 25. O verbo grego usado é πεποίηκεν (pepoiēken). É um perfeito indicativo do verbo “poieo”, fazer. É evidente que tem uma diferença entre os dois termos usados. Um verbo especial é usado para descrever o que aconteceu com Maria, pois quem dela nascerá é muito maior do que João Batista.
[5]             Ano 431 d. C.
[6]             LITURGIA DAS HORAS SEGUNDO O RITO ROMANO. I Tempo do Advento e Tempo do Natal. Petrópolis: Vozes, 1999, pp. 130-131.
[7]             Cf. CANTALAMESSA, Raniero. Maria, um espelho para a Igreja. 14ª ed. Aparecida: Santuário, 2016, p.5.
[8]             Id. p. 7.
[9]             Hierofania (do grego hieros (ἱερός) = santo, sagrado; faneia (φαίνειν) = manifesto) pode ser definido como o ato de manifestação do Sagrado.
[10]             Martin Luther. – in: J. Pelikan (trad. ing.). LW-Luther’s Work. 1955, vol.11, pp.319-320; e (…) vol.6. p.510.

terça-feira

Apontamentos de liturgia do Cardeal Sarah

Desde o Concílio, o CENTRO da liturgia e da Igreja não é mais Deus nem a adoração a Ele

Cardeal Sarah

Certamente, o Concílio Vaticano II desejava fomentar uma maior participação ativa do povo de Deus e fazê-la progredir dia a dia na vida cristã dos fiéis (ver Sacrosanctum Concilium, 1). Certamente, algumas boas iniciativas foram tomadas nesse sentido. No entanto, não podemos fechar os olhos ao desastre, à devastação e ao cisma que os modernos promotores de uma liturgia viva provocaram remodelando a liturgia da Igreja segundo as suas ideias. Eles esqueceram que o ato litúrgico não é apenas uma ORAÇÃO, mas também e sobretudo um MISTÉRIO em que algo é realizado para nós que não podemos compreender plenamente, mas que devemos aceitar e receber em fé, amor, obediência e adorar no silêncio. E este é o verdadeiro significado da participação ativa dos fiéis. Não se trata de uma atividade exclusivamente externa, da distribuição de papéis ou de funções na liturgia, mas sim de uma receptividade intensamente ativa: esta recepção é, em Cristo e com Cristo, a humilde oferenda de si mesmo em oração silenciosa e uma atitude totalmente contemplativa.

A grave crise da fé, não só ao nível dos fiéis cristãos, mas também e sobretudo entre muitos sacerdotes e bispos, tornaram-nos incapazes de compreender a liturgia eucarística como um sacrifício, como idêntico ao ato realizado de uma vez por todas por Jesus Cristo, fazendo presente o Sacrifício da Cruz de uma maneira não sangrenta, em toda a Igreja, através de diferentes épocas, lugares, povos e nações.

Há muitas vezes uma tendência sacrílega para reduzir a Santa Missa a uma simples refeição de convívio, a celebração de uma festa profana, A celebração da comunidade de si mesma, ou pior ainda, uma terrível diversão da angústia de uma vida que já não tem significado ou do medo de encontrar-se com Deus face a face, porque Seu olhar nos desvela e nos obriga a olhar de forma verdadeira e inflexível a feiúra da nossa vida interior. Mas a Santa Missa não é uma diversão. É o sacrifício vivo de Cristo que morreu na cruz para nos libertar do pecado e da morte, com o propósito de revelar o amor e a glória de Deus Pai.

Muitos católicos não sabem que o propósito final de cada celebração litúrgica é a glória e a adoração de Deus, a salvação e a santificação dos seres humanos, uma vez que na liturgia “Deus é perfeitamente glorificado e os homens são santificados” ( Sacrosanctum concilium, 7 ). A maioria dos fiéis – incluindo sacerdotes e bispos – não conhece este ensinamento do Concílio. Assim como eles não sabem que os verdadeiros adoradores de Deus não são aqueles que reformam a liturgia de acordo com suas próprias ideias e criatividade, tornando-a algo agradável para o mundo, mas, sim, aqueles que reformam o mundo em profundidade com o Evangelho, para permitir o acesso a uma liturgia que é o reflexo da liturgia que é celebrada de toda a eternidade na Jerusalém celeste.

Como Bento XVI enfatizou muitas vezes, na raiz da liturgia está a adoração e, portanto, Deus. Por isso, é necessário reconhecer que a grave e profunda crise que atingiu a liturgia e a própria Igreja desde o Concílio se deve ao fato de que seu CENTRO não é mais Deus e a adoração a Ele, mas sim os homens e a sua alegada capacidade de “fazer” algo para se manterem ocupados durante as celebrações eucarísticas.

Ainda hoje, um número significativo de líderes da Igreja subestima a grave crise que atravessa a Igreja: o relativismo no ensino doutrinário, moral e disciplinar, graves abusos, a dessacralização e banalização da Sagrada Liturgia, uma visão meramente social e horizontal da Igreja missão. Muitos creem e declaram alto e longamente que o Concílio Vaticano II trouxe uma verdadeira primavera na Igreja. No entanto, um número crescente de líderes da Igreja vê esta “primavera” como uma rejeição, uma renúncia à sua herança secular, ou mesmo como um questionamento radical do seu passado e da Tradição. A Europa política é repreendida por abandonar ou negar suas raízes cristãs. Mas a primeira a ter abandonado suas raízes e passado cristãos é indiscutivelmente a Igreja Católica pós-conciliar.

(*) Excerto da tradução exclusiva inglesa da mensagem enviada pelo Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ao Colóquio “A Fonte do Futuro”, por ocasião do 10º aniversário da publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum pelo Papa Bento XVI, em 29 de março – 1 de abril de 2017, Herzogenrath, perto de Aachen (Alemanha).

Fonte: The Catholic World Report – Cardinal Sarah’s Adress on the 1oth Anniversary of “Summorum Pontificum”


"A criatividade nunca esteve presente na Liturgia cristã"
Dom Henrique Soares da Costa


Criatividade. Este conceito nunca esteve presente na Liturgia cristã. É-lhe totalmente estranho!

Na antiguidade mais primitiva, não havia ainda textos litúrgicos formados. É natural, é claro: a Igreja não nascera feita! Fundada pelo Cristo-Deus, foi plasmada pelo Seu Santo Espírito, conforme Sua própria promessa.

Mesmo não havendo ainda textos fixos para o rito litúrgico, havia, no entanto, esquemas fixos, que os ministros sagrados deveriam seguir à risca. Portanto, cada ministro, tanto quanto pudesse, uns mais, outros, menos, compunham as orações. Em geral, escreviam-nas antes. Mas, dentro de um esquema fixo. A palavra chave nunca foi criatividade, mas fidelidade à Regra de Fé da Igreja e à lex orandi, isto é, à norma de oração da Igreja.

Logo cedo, os primeiros formulários litúrgicos foram sendo colocados por escrito e fixados. Finalmente, no século IV, com a liberdade de culto concedida aos cristãos, surgiram os grandes textos litúrgicos no Oriente, como a estupenda liturgia de São João Crisóstomo, e do Ocidente (pense-se na antiquissíma Tradição Apostólica de Hipólito de Roma). No Ocidente, a formação dos grandes textos foi mais complexa por vários motivos históricos e culturais. Em todo caso, no séculos VI e VII já se tinham os grandes formulários litúrgicos e a soleníssima Missa Estacional romana, que influenciaria toda a liturgia da Missa da Igreja latina (a Igreja do Ocidente, da qual o Bispo de Roma é o Patriarca, além de Papa de toda a Igreja do Oriente e Ocidente).

Em toda esta complexa e rica evolução histórica nunca se teve em mira a criatividade, mas a ortodoxia. Aliás, a palavra ortodoxia significa reta fé (reta opinião) e também reto louvor, reta glorificação de Deus! Assim, na Celebração litúrgica, o importante, a finalidade é o reto louvor ao Senhor Deus, exprimindo a reta fé pelos ritos sagrados que tornam atuantes na vida de cada crente e de toda a Igreja a salvação celebrada. A criatividade como ideal, objetivo e valor em si simplesmente não faz parte da realidade litúrgica, ao menos não nos vinte e um séculos de história da Igreja do Ocidente e do Oriente. Sendo assim, cedo ou tarde, com a graça de Deus, a ideologia da criatividade litúrgica desaparecerá do horizonte da Igreja, pois não faz parte do genuíno sentir eclesial. É questão de tempo...


CONSTITUIÇÃO CONCILIAR
SACROSANCTUM CONCILIUM
SOBRE A SAGRADA LITURGIA

2. A Liturgia, pela qual, especialmente no sacrifício eucarístico, «se opera o fruto da nossa Redenção» (1), contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultâneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos (2). A Liturgia, ao mesmo tempo que edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor, em morada de Deus no Espírito (3), até à medida da idade da plenitude de Cristo (4), robustece de modo admirável as suas energias para pregar Cristo e mostra a Igreja aos que estão fora, como sinal erguido entre as nações (5), para reunir à sua sombra os filhos de Deus dispersos (6), até que haja um só rebanho e um só pastor (7).

presença de Cristo na Liturgia

7. Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» (20) -quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza (21). Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt. 18,20).

Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai.

Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo - cabeça e membros - presta a Deus o culto público integral.

Portanto, qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada par excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja.

A Liturgia terrena, antecipação da Liturgia celeste

8. Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo (22); por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória (23).

Lugar da Liturgia na vida da Igreja

9. A sagrada Liturgia não esgota toda a ação da Igreja, porque os homens, antes de poderem participar na Liturgia, precisam de ouvir o apelo à fé e à conversão: «Como hão-de invocar aquele em quem não creram? Ou como hão-de crer sem o terem ouvido? Como poderão ouvir se não houver quem pregue? E como se há-de pregar se não houver quem seja enviado?» (Rom. 10, 14-15).

É por este motivo que a Igreja anuncia a mensagem de salvação aos que ainda não têm fé, para que todos os homens venham a conhecer o único Deus verdadeiro e o Seu enviado, Jesus Cristo, e se convertam dos seus caminhos pela penitência (24). Aos que crêem, tem o dever de pregar constantemente a fé e a penitência, de dispô-los aos Sacramentos, de ensiná-los a guardar tudo o que Cristo mandou (25), de estimulá-los a tudo o que seja obra de caridade, de piedade e apostolado, onde os cristãos possam mostrar que são a luz do mundo, embora não sejam deste mundo, e que glorificam o Pai diante dos homens.

10. Contudo, a Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo se reúnam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor.

A Liturgia, por sua vez, impele os fiéis, saciados pelos «mistérios pascais», a viverem «unidos no amor» (26); pede «que sejam fiéis na vida a quanto receberam pela fé» (27); e pela renovação da aliança do Senhor com os homens na Eucaristia, e aquece os fiéis na caridade urgente de Cristo. Da Liturgia, pois, em especial da Eucaristia, corre sobre nós, como de sua fonte, a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja.

A participação dos fiéis

11. Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com retidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão (28). Por conseguinte, devem os pastores de almas vigiar por que não só se observem, na ação litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, ativa e frutuosamente.

EDUCAÇÃO LITÚRGICA E PARTICIPAÇÃO ATIVA

14. É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Batismo, um direito e um dever do povo cristão, «raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped. 2,9; cfr. 2, 4-5).

Na reforma e incremento da sagrada Liturgia, deve dar-se a maior atenção a esta plena e ativa participação de todo o povo porque ela é a primeira e necessária fonte onde os fiéis hão-de beber o espírito genuinamente cristão. Esta é a razão que deve levar os pastores de almas a procurarem-na com o máximo empenho, através da devida educação.


Mas, porque não há qualquer esperança de que tal aconteça, se antes os pastores de almas se não imbuírem plenamente do espírito e da virtude da Liturgia e não se fizerem mestres nela, é absolutamente necessário que se providencie em primeiro lugar à formação litúrgica do clero. Por tal razões este sagrado Concílio determinou quanto segue:

quinta-feira

VIGÍLIA EUCARÍSTICA


Canto de entronização

Dirigente: Divino Jesus, com viva fé e ardente amor, cremos que estais realmente Presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia e nos prostramos aos Vossos Pés para adorar-Vos, em união com todos os nossos irmãos adoradores e com toda a Santa Igreja que neste Tríduo Pascal. Fazei Senhor que a nossa Paróquia viva intensamente esses momentos fortes que a Igreja nos apresenta como centro e cume de todo o Ano Litúrgico. Neste ano jubilar, unimo-nos de modo especial à Vossa SSma. Mãe, a Senhora de Aparecida que, aos pés da Cruz, tornou-Se também Nossa Mãe.
- Graças e Louvores se deem a todo momento
- Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento

- Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição
- Da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus.


Todos: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e Vos amo. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

«Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
(Breve momento de oração pessoal)

1º quarto de hora:
Adoração

Leitor: Ler na Sagrada Escritura o Evangelho Mt 26,36-46
Momento de silêncio
Aclamações de Adoração (brevemente dizer a Jesus qual o motivo que lhe fez está aqui)

Dirigente: Senhor Jesus, em Vossa agonia, Paixão e dolorosa Morte de Cruz, Vós nos destes o exemplo de perfeita submissão aos desígnios do Pai, desejosos de aprender convosco a obedecer sempre, mesmo quando a Cruz pesa sobre os nossos ombros, queremos dizer todos juntos a Deus Pai algumas palavras:
- Com Vosso Filho Jesus, escolhemos, ó Pai, a Vossa Vontade.
Todos: Com Vosso Filho Jesus...
Dirigente: Quando a tentação bater à nossa porta, procurando seduzir-nos com prazeres atraentes e enganosos que nos aprisionam, repetiremos confiantes:
Todos: Com Vosso Filho Jesus...
Dirigente: Quando a oração se tornar pesada, porque o cansaço da vida, as preocupações querem tirar-nos todo o desejo de estar aos Vossos Pés em humilde Adoração, repetiremos confiantes:
Todos: Com Vosso Filho Jesus...
Dirigente: Quando percebermos que a Vossa Vontade se torna exigente para nós, porque pede a renúncia de muitas coisas que em nossa vida não Vos agradam tanto, repetiremos confiantes:
Todos: Com Vosso Filho Jesus...

Canto
A ti meu Deus/ Elevo meu coração/ Elevo as minhas mãos / Meu olhar, minha voz./ A ti meu Deus eu quero oferecer/  Meus passos e meu viver/ Meus caminhos, meu sofrer.

A tua ternura Senhor vem me abraçar/ E a tua bondade infinita me perdoar/ Vou ser o teu seguidor e te dar o meu coração/ Eu quero sentir o calor de tuas mãos.


                   2º quarto de hora:
Ação de Graças

Dirigente: Meditemos nestas palavras de São João Paulo II, em seu Documento: Ecclesia de Eucharistia:

Leitor 2: “Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo, a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isso é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos dos Apóstolos: ‘Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações’ (2,42). Na ‘fração do pão’ é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E, ao fazê-lo na celebração eucarística, os olhos da alma voltam-se para o Tríduo Pascal: para o que se realizou na noite de Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia, e nas horas sucessivas.

Leitor 3: De fato, a instituição da Eucaristia antecipava sacramentalmente os acontecimentos que teriam lugar pouco depois, a começar pela agonia no Getsêmani. Revemos Jesus que sai do Cenáculo, desce com os discípulos, atravessa a torrente do Cedron e chega ao Horto das Oliveiras. Existem ainda hoje naquele lugar algumas oliveiras muito antigas; talvez tenham sido testemunhas do que aconteceu junto delas naquela noite, quando Cristo, em oração, sentiu uma angústia mortal, ‘seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão’ (Lc 22,44). O sangue que pouco antes tinha entregue à Igreja como vinho de salvação no sacramento eucarístico começava a ser derramado; sua efusão completar-se-ia depois no Gólgota, tornando-se instrumento de nossa redenção: ‘Cristo, porém, veio como Sumo Sacerdote dos bens futuros [...] entrou uma vez por todas no Santuário, não com o sangue de bodes e bezerros, mas com seu próprio Sangue, obtendo uma redenção eterna” (Hb 9,11-12). Quanto sofrimento por causa de nossos pecados! Pensemos sobre isto.
Momento de silêncio

Dirigente: Que presente maior poderíeis ter nos dado, ó amantíssimo Jesus, do que este Preciosíssimo Dom da Santíssima Eucaristia, que sois Vós mesmo realmente Presente na Hóstia Consagrada para ser Nosso Alimento, Nosso Companheiro, Nosso Mestre, Nosso Tudo? Com o coração transbordante de gratidão, queremos dizer-Vos agora e sempre:
- Nós Vos agradecemos, por Vossa Presença de Amor.
Todos: Nós Vos agradecemos, por Vossa Presença de Amor.
Leitor 1: A infinita prova de amor que nos destes entregando a Vossa Vida na Cruz para nossa salvação, se renova cada vez que se celebra a Santa Missa, pois a Eucaristia é o Memorial da Paixão. Juntos, Vos bendizemos por tanto amor:
Todos: Nós Vos agradecemos...
Leitor 2: Jesus, viestes a este mundo com o desejo de abrir para nós as portas do Céu que foram fechadas pelo nosso pecado. Ao morrer na Cruz, reparando todos os pecados de todos os tempos, estava consumada a nossa redenção. Mas quisestes permanecer conosco neste Sacramento. Juntos, vos bendizemos por tanto amor:
Todos: Nós Vos agradecemos...
Leitor 1: Por todo o amor que nos testemunhastes em Vossa Sagrada Paixão e Morte e pelo amor que demonstrais a cada pessoa que Vos recebe na Sagrada Comunhão, onde nos comunicais infinitos tesouros de graças, somos eternamente gratos. Juntos, Vos bendizemos por tanto amor:
Todos: Nós Vos agradecemos...
Canto
Vinde, ó irmãos, adorar, vinde adorar o Senhor / A Eucaristia nos faz Igreja, comunidade de amor (bis)

Partimos o único pão, no altar-refeição, ó mistério de amor / Nós somos sinais de unidade na fé, na verdade, convosco, ó Senhor.

3º quarto de hora:
 Reparação

Dirigente: Em atitude de humilde reparação pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo que foram a causa dos sofrimentos do Nosso Divino Redentor, aqui estamos fazendo companhia a Jesus.
Leitor 3: “A hora da nossa redenção. Embora profundamente angustiado, Jesus não foge ao ver chegar sua ‘hora’: ‘E que direi? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim’ (Jo 12,27). Quer que os discípulos lhe façam companhia, mas de experimentar solidão e abandono: ‘Não fostes capazes de ficar vigiando uma só hora comigo. Vigiai e orai, para não cairdes em tentação’ (Mt 26,40-41). Aos pés da cruz, está apenas João, ao lado de Maria e das piedosas mulheres. A agonia no Getsêmani foi o prelúdio da agonia na cruz da Sexta-feira Santa. A hora santa, a hora da redenção do mundo. Quando se celebra a Eucaristia, volta-se de modo quase palpável à ‘hora’ de Jesus , a hora da cruz e da glorificação. Àquele lugar e àquela hora se deixa transportar em espírito cada presbítero ao celebrar a Santa Missa, juntamente com a comunidade cristã que nela participa.
Momento de silêncio
Aclamações de reparação:
Dirigente: Com o coração contrito, mas cheio de confiança em Vossa infinita Misericórdia da qual nos destes tantas provas entregando a Vossa Vida para livrar-nos da morte eterna, queremos pedir humildemente:
- Perdão Jesus, porque somos ainda tão pecadores.
Todos: Perdão Jesus, porque somos ainda tão pecadores.
Dirigente: Senhor Jesus, sabemos que estais Presente e Vivo neste Adorável Sacramento, mas tantas vezes nos aproximamos de Vós sem verdadeiros sentimentos de fé e de amor, sem a devida atitude de respeito e recolhimento. Com o propósito de uma sincera conversão, Vos pedimos:
Todos: Perdão, Jesus...
Dirigente: Na Santa Missa se renova o Sacrifício do Calvário. Mas tantas vezes participamos da Eucaristia de forma tão dissipada e superficial, como se fosse uma reunião como tantas outras. Com o propósito de uma sincera conversão, Vos pedimos:
Todos: Perdão, Jesus...
Dirigente: Vós nos advertistes: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.” Mas, muitas vezes damos mais atenção às vozes tentadoras do mundo do que à Vossa Palavra que nos chama à oração, à Adoração, à penitência, à mudança de vida. Com o propósito de uma sincera conversão, Vos pedimos:
Todos: Perdão, Jesus...
Canto de Reparação
Pelos pecados erros passados por divisões na tua Igreja ó Jesus.
Senhor piedade! Senhor piedade! Senhor piedade! Piedade de nós (bis)

Quem não te aceita quem te rejeita pode não crer por ver cristãos que vivem mal.
Cristo piedade! Cristo piedade! Cristo piedade, piedade de nós (bis)

Hoje se a vida é tão ferida, deve-se a culpa e a indiferença dos cristãos!
Senhor piedade! Senhor piedade! Senhor piedade! Piedade de nós (bis)



                4º quarto de hora:
Súplica

Dirigente: Jesus Querido, queremos agora meditar alguns dos ensinamentos do grande apóstolo de Vossa Presença Eucarística, São Pedro Julião, que nos ajudarão a ter ainda maior confiança em Vosso Amor neste Divino Sacramento.
Leitor 2: O que é a Eucaristia? A fim de que não esquecêssemos porque Nosso Senhor Se colocou sobre o Altar, o que dizia o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo? Isto é Meu Corpo, comei, Isto é Meu Sangue, tomai-O, bebei dele todos. Em memória de que? De Sua Paixão, pois essas palavras da Consagração são as próprias palavras de Nosso Senhor, anunciando que Ele ia ser entregue aos Seus inimigos.
Leitor 3: A Santíssima Eucaristia é o memorial da Paixão de Nosso Senhor, é a continuação da vida de Nosso Senhor no meio de nós, de Sua Paixão de amor. Ele terminou Sua Paixão sangrenta, era a Paixão de nossa redenção, mas Sua Paixão Eucarística é uma Paixão de amor. Nosso Senhor é Vítima. Como Ele não pode mais sofrer nem morrer realmente, porque Ele está em Sua Vida ressuscitada, Ele toma a forma de Vítima e nos deixa o resto; de forma que quando sofremos em união com Jesus no Santíssimo Sacramento, de alguma forma nós Lhe restituímos Sua Vida de redenção, não somente isso, mas completamos Sua Vida Eucarística.”
Momento de silêncio
Aclamações de súplica:
Dir. Antes de nos afastar-nos de Jesus no Horto, recorramos às riquezas infinitas de Vosso Coração divino com os nossos pedidos. (momento de silêncio para a oração pessoal)

Todos: Escutai Senhor o pedido da vossa Igreja aqui reunida.

• O primeiro desejo de Jesus é a salvação das almas; redimir o mundo por meio do amor, estabelecer o Reino do Amor Infinito em toda a terra.

• Ó Jesus, Sacerdote eterno e Salvador do mundo, para realizar este ardente desejo de Vosso Coração, multiplicai as vocações da vossa Igreja, principalmente vocações novas e santas para a Ordem dos Cônegos Regulares Lateranenses. Enviai muitos e santos operários para Vossa messe.

• Ó Jesus, fazei de cada sacerdote um verdadeiro semeador de Vosso amor e um instrumento eficaz de vossa Santidade no mundo.

• Rogo-Vos pelo Santo Padre, pelos Bispos, por todos os sacerdotes que nos fizeram o bem, especialmente os pastores que por aqui passaram.

Dir.  Por todas as almas do purgatório, especialmente as devotas do Coração de Jesus, pelas necessidades da Igreja e por todos os lugares que foram proibidos de celebrar a Páscoa do Senhor, rezemos. Pai Nosso. Ave Maria.

Todos: Deus, nosso Pai e Senhor, nós vos louvamos e bendizemos, por vossa infinita bondade.

Criastes o universo com sabedoria e o entregastes em nossas frágeis mãos para que dele cuidemos com carinho e amor.

Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho do novo céu e da nova terra que prometestes.
Canto de despedida