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terça-feira

Apontamentos de liturgia do Cardeal Sarah

Desde o Concílio, o CENTRO da liturgia e da Igreja não é mais Deus nem a adoração a Ele

Cardeal Sarah

Certamente, o Concílio Vaticano II desejava fomentar uma maior participação ativa do povo de Deus e fazê-la progredir dia a dia na vida cristã dos fiéis (ver Sacrosanctum Concilium, 1). Certamente, algumas boas iniciativas foram tomadas nesse sentido. No entanto, não podemos fechar os olhos ao desastre, à devastação e ao cisma que os modernos promotores de uma liturgia viva provocaram remodelando a liturgia da Igreja segundo as suas ideias. Eles esqueceram que o ato litúrgico não é apenas uma ORAÇÃO, mas também e sobretudo um MISTÉRIO em que algo é realizado para nós que não podemos compreender plenamente, mas que devemos aceitar e receber em fé, amor, obediência e adorar no silêncio. E este é o verdadeiro significado da participação ativa dos fiéis. Não se trata de uma atividade exclusivamente externa, da distribuição de papéis ou de funções na liturgia, mas sim de uma receptividade intensamente ativa: esta recepção é, em Cristo e com Cristo, a humilde oferenda de si mesmo em oração silenciosa e uma atitude totalmente contemplativa.

A grave crise da fé, não só ao nível dos fiéis cristãos, mas também e sobretudo entre muitos sacerdotes e bispos, tornaram-nos incapazes de compreender a liturgia eucarística como um sacrifício, como idêntico ao ato realizado de uma vez por todas por Jesus Cristo, fazendo presente o Sacrifício da Cruz de uma maneira não sangrenta, em toda a Igreja, através de diferentes épocas, lugares, povos e nações.

Há muitas vezes uma tendência sacrílega para reduzir a Santa Missa a uma simples refeição de convívio, a celebração de uma festa profana, A celebração da comunidade de si mesma, ou pior ainda, uma terrível diversão da angústia de uma vida que já não tem significado ou do medo de encontrar-se com Deus face a face, porque Seu olhar nos desvela e nos obriga a olhar de forma verdadeira e inflexível a feiúra da nossa vida interior. Mas a Santa Missa não é uma diversão. É o sacrifício vivo de Cristo que morreu na cruz para nos libertar do pecado e da morte, com o propósito de revelar o amor e a glória de Deus Pai.

Muitos católicos não sabem que o propósito final de cada celebração litúrgica é a glória e a adoração de Deus, a salvação e a santificação dos seres humanos, uma vez que na liturgia “Deus é perfeitamente glorificado e os homens são santificados” ( Sacrosanctum concilium, 7 ). A maioria dos fiéis – incluindo sacerdotes e bispos – não conhece este ensinamento do Concílio. Assim como eles não sabem que os verdadeiros adoradores de Deus não são aqueles que reformam a liturgia de acordo com suas próprias ideias e criatividade, tornando-a algo agradável para o mundo, mas, sim, aqueles que reformam o mundo em profundidade com o Evangelho, para permitir o acesso a uma liturgia que é o reflexo da liturgia que é celebrada de toda a eternidade na Jerusalém celeste.

Como Bento XVI enfatizou muitas vezes, na raiz da liturgia está a adoração e, portanto, Deus. Por isso, é necessário reconhecer que a grave e profunda crise que atingiu a liturgia e a própria Igreja desde o Concílio se deve ao fato de que seu CENTRO não é mais Deus e a adoração a Ele, mas sim os homens e a sua alegada capacidade de “fazer” algo para se manterem ocupados durante as celebrações eucarísticas.

Ainda hoje, um número significativo de líderes da Igreja subestima a grave crise que atravessa a Igreja: o relativismo no ensino doutrinário, moral e disciplinar, graves abusos, a dessacralização e banalização da Sagrada Liturgia, uma visão meramente social e horizontal da Igreja missão. Muitos creem e declaram alto e longamente que o Concílio Vaticano II trouxe uma verdadeira primavera na Igreja. No entanto, um número crescente de líderes da Igreja vê esta “primavera” como uma rejeição, uma renúncia à sua herança secular, ou mesmo como um questionamento radical do seu passado e da Tradição. A Europa política é repreendida por abandonar ou negar suas raízes cristãs. Mas a primeira a ter abandonado suas raízes e passado cristãos é indiscutivelmente a Igreja Católica pós-conciliar.

(*) Excerto da tradução exclusiva inglesa da mensagem enviada pelo Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ao Colóquio “A Fonte do Futuro”, por ocasião do 10º aniversário da publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum pelo Papa Bento XVI, em 29 de março – 1 de abril de 2017, Herzogenrath, perto de Aachen (Alemanha).

Fonte: The Catholic World Report – Cardinal Sarah’s Adress on the 1oth Anniversary of “Summorum Pontificum”


"A criatividade nunca esteve presente na Liturgia cristã"
Dom Henrique Soares da Costa


Criatividade. Este conceito nunca esteve presente na Liturgia cristã. É-lhe totalmente estranho!

Na antiguidade mais primitiva, não havia ainda textos litúrgicos formados. É natural, é claro: a Igreja não nascera feita! Fundada pelo Cristo-Deus, foi plasmada pelo Seu Santo Espírito, conforme Sua própria promessa.

Mesmo não havendo ainda textos fixos para o rito litúrgico, havia, no entanto, esquemas fixos, que os ministros sagrados deveriam seguir à risca. Portanto, cada ministro, tanto quanto pudesse, uns mais, outros, menos, compunham as orações. Em geral, escreviam-nas antes. Mas, dentro de um esquema fixo. A palavra chave nunca foi criatividade, mas fidelidade à Regra de Fé da Igreja e à lex orandi, isto é, à norma de oração da Igreja.

Logo cedo, os primeiros formulários litúrgicos foram sendo colocados por escrito e fixados. Finalmente, no século IV, com a liberdade de culto concedida aos cristãos, surgiram os grandes textos litúrgicos no Oriente, como a estupenda liturgia de São João Crisóstomo, e do Ocidente (pense-se na antiquissíma Tradição Apostólica de Hipólito de Roma). No Ocidente, a formação dos grandes textos foi mais complexa por vários motivos históricos e culturais. Em todo caso, no séculos VI e VII já se tinham os grandes formulários litúrgicos e a soleníssima Missa Estacional romana, que influenciaria toda a liturgia da Missa da Igreja latina (a Igreja do Ocidente, da qual o Bispo de Roma é o Patriarca, além de Papa de toda a Igreja do Oriente e Ocidente).

Em toda esta complexa e rica evolução histórica nunca se teve em mira a criatividade, mas a ortodoxia. Aliás, a palavra ortodoxia significa reta fé (reta opinião) e também reto louvor, reta glorificação de Deus! Assim, na Celebração litúrgica, o importante, a finalidade é o reto louvor ao Senhor Deus, exprimindo a reta fé pelos ritos sagrados que tornam atuantes na vida de cada crente e de toda a Igreja a salvação celebrada. A criatividade como ideal, objetivo e valor em si simplesmente não faz parte da realidade litúrgica, ao menos não nos vinte e um séculos de história da Igreja do Ocidente e do Oriente. Sendo assim, cedo ou tarde, com a graça de Deus, a ideologia da criatividade litúrgica desaparecerá do horizonte da Igreja, pois não faz parte do genuíno sentir eclesial. É questão de tempo...


CONSTITUIÇÃO CONCILIAR
SACROSANCTUM CONCILIUM
SOBRE A SAGRADA LITURGIA

2. A Liturgia, pela qual, especialmente no sacrifício eucarístico, «se opera o fruto da nossa Redenção» (1), contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultâneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos (2). A Liturgia, ao mesmo tempo que edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor, em morada de Deus no Espírito (3), até à medida da idade da plenitude de Cristo (4), robustece de modo admirável as suas energias para pregar Cristo e mostra a Igreja aos que estão fora, como sinal erguido entre as nações (5), para reunir à sua sombra os filhos de Deus dispersos (6), até que haja um só rebanho e um só pastor (7).

presença de Cristo na Liturgia

7. Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» (20) -quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza (21). Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt. 18,20).

Em tão grande obra, que permite que Deus seja perfeitamente glorificado e que os homens se santifiquem, Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu Senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai.

Com razão se considera a Liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo. Nela, os sinais sensíveis significam e, cada um à sua maneira, realizam a santificação dos homens; nela, o Corpo Místico de Jesus Cristo - cabeça e membros - presta a Deus o culto público integral.

Portanto, qualquer celebração litúrgica é, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, ação sagrada par excelência, cuja eficácia, com o mesmo título e no mesmo grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja.

A Liturgia terrena, antecipação da Liturgia celeste

8. Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo (22); por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória (23).

Lugar da Liturgia na vida da Igreja

9. A sagrada Liturgia não esgota toda a ação da Igreja, porque os homens, antes de poderem participar na Liturgia, precisam de ouvir o apelo à fé e à conversão: «Como hão-de invocar aquele em quem não creram? Ou como hão-de crer sem o terem ouvido? Como poderão ouvir se não houver quem pregue? E como se há-de pregar se não houver quem seja enviado?» (Rom. 10, 14-15).

É por este motivo que a Igreja anuncia a mensagem de salvação aos que ainda não têm fé, para que todos os homens venham a conhecer o único Deus verdadeiro e o Seu enviado, Jesus Cristo, e se convertam dos seus caminhos pela penitência (24). Aos que crêem, tem o dever de pregar constantemente a fé e a penitência, de dispô-los aos Sacramentos, de ensiná-los a guardar tudo o que Cristo mandou (25), de estimulá-los a tudo o que seja obra de caridade, de piedade e apostolado, onde os cristãos possam mostrar que são a luz do mundo, embora não sejam deste mundo, e que glorificam o Pai diante dos homens.

10. Contudo, a Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo se reúnam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor.

A Liturgia, por sua vez, impele os fiéis, saciados pelos «mistérios pascais», a viverem «unidos no amor» (26); pede «que sejam fiéis na vida a quanto receberam pela fé» (27); e pela renovação da aliança do Senhor com os homens na Eucaristia, e aquece os fiéis na caridade urgente de Cristo. Da Liturgia, pois, em especial da Eucaristia, corre sobre nós, como de sua fonte, a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja.

A participação dos fiéis

11. Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com retidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão (28). Por conseguinte, devem os pastores de almas vigiar por que não só se observem, na ação litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, ativa e frutuosamente.

EDUCAÇÃO LITÚRGICA E PARTICIPAÇÃO ATIVA

14. É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Batismo, um direito e um dever do povo cristão, «raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped. 2,9; cfr. 2, 4-5).

Na reforma e incremento da sagrada Liturgia, deve dar-se a maior atenção a esta plena e ativa participação de todo o povo porque ela é a primeira e necessária fonte onde os fiéis hão-de beber o espírito genuinamente cristão. Esta é a razão que deve levar os pastores de almas a procurarem-na com o máximo empenho, através da devida educação.


Mas, porque não há qualquer esperança de que tal aconteça, se antes os pastores de almas se não imbuírem plenamente do espírito e da virtude da Liturgia e não se fizerem mestres nela, é absolutamente necessário que se providencie em primeiro lugar à formação litúrgica do clero. Por tal razões este sagrado Concílio determinou quanto segue:

quinta-feira

VIGÍLIA EUCARÍSTICA


Canto de entronização

Dirigente: Divino Jesus, com viva fé e ardente amor, cremos que estais realmente Presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia e nos prostramos aos Vossos Pés para adorar-Vos, em união com todos os nossos irmãos adoradores e com toda a Santa Igreja que neste Tríduo Pascal. Fazei Senhor que a nossa Paróquia viva intensamente esses momentos fortes que a Igreja nos apresenta como centro e cume de todo o Ano Litúrgico. Neste ano jubilar, unimo-nos de modo especial à Vossa SSma. Mãe, a Senhora de Aparecida que, aos pés da Cruz, tornou-Se também Nossa Mãe.
- Graças e Louvores se deem a todo momento
- Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento

- Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição
- Da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus.


Todos: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e Vos amo. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

«Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.
(Breve momento de oração pessoal)

1º quarto de hora:
Adoração

Leitor: Ler na Sagrada Escritura o Evangelho Mt 26,36-46
Momento de silêncio
Aclamações de Adoração (brevemente dizer a Jesus qual o motivo que lhe fez está aqui)

Dirigente: Senhor Jesus, em Vossa agonia, Paixão e dolorosa Morte de Cruz, Vós nos destes o exemplo de perfeita submissão aos desígnios do Pai, desejosos de aprender convosco a obedecer sempre, mesmo quando a Cruz pesa sobre os nossos ombros, queremos dizer todos juntos a Deus Pai algumas palavras:
- Com Vosso Filho Jesus, escolhemos, ó Pai, a Vossa Vontade.
Todos: Com Vosso Filho Jesus...
Dirigente: Quando a tentação bater à nossa porta, procurando seduzir-nos com prazeres atraentes e enganosos que nos aprisionam, repetiremos confiantes:
Todos: Com Vosso Filho Jesus...
Dirigente: Quando a oração se tornar pesada, porque o cansaço da vida, as preocupações querem tirar-nos todo o desejo de estar aos Vossos Pés em humilde Adoração, repetiremos confiantes:
Todos: Com Vosso Filho Jesus...
Dirigente: Quando percebermos que a Vossa Vontade se torna exigente para nós, porque pede a renúncia de muitas coisas que em nossa vida não Vos agradam tanto, repetiremos confiantes:
Todos: Com Vosso Filho Jesus...

Canto
A ti meu Deus/ Elevo meu coração/ Elevo as minhas mãos / Meu olhar, minha voz./ A ti meu Deus eu quero oferecer/  Meus passos e meu viver/ Meus caminhos, meu sofrer.

A tua ternura Senhor vem me abraçar/ E a tua bondade infinita me perdoar/ Vou ser o teu seguidor e te dar o meu coração/ Eu quero sentir o calor de tuas mãos.


                   2º quarto de hora:
Ação de Graças

Dirigente: Meditemos nestas palavras de São João Paulo II, em seu Documento: Ecclesia de Eucharistia:

Leitor 2: “Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo, a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isso é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos dos Apóstolos: ‘Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações’ (2,42). Na ‘fração do pão’ é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E, ao fazê-lo na celebração eucarística, os olhos da alma voltam-se para o Tríduo Pascal: para o que se realizou na noite de Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia, e nas horas sucessivas.

Leitor 3: De fato, a instituição da Eucaristia antecipava sacramentalmente os acontecimentos que teriam lugar pouco depois, a começar pela agonia no Getsêmani. Revemos Jesus que sai do Cenáculo, desce com os discípulos, atravessa a torrente do Cedron e chega ao Horto das Oliveiras. Existem ainda hoje naquele lugar algumas oliveiras muito antigas; talvez tenham sido testemunhas do que aconteceu junto delas naquela noite, quando Cristo, em oração, sentiu uma angústia mortal, ‘seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão’ (Lc 22,44). O sangue que pouco antes tinha entregue à Igreja como vinho de salvação no sacramento eucarístico começava a ser derramado; sua efusão completar-se-ia depois no Gólgota, tornando-se instrumento de nossa redenção: ‘Cristo, porém, veio como Sumo Sacerdote dos bens futuros [...] entrou uma vez por todas no Santuário, não com o sangue de bodes e bezerros, mas com seu próprio Sangue, obtendo uma redenção eterna” (Hb 9,11-12). Quanto sofrimento por causa de nossos pecados! Pensemos sobre isto.
Momento de silêncio

Dirigente: Que presente maior poderíeis ter nos dado, ó amantíssimo Jesus, do que este Preciosíssimo Dom da Santíssima Eucaristia, que sois Vós mesmo realmente Presente na Hóstia Consagrada para ser Nosso Alimento, Nosso Companheiro, Nosso Mestre, Nosso Tudo? Com o coração transbordante de gratidão, queremos dizer-Vos agora e sempre:
- Nós Vos agradecemos, por Vossa Presença de Amor.
Todos: Nós Vos agradecemos, por Vossa Presença de Amor.
Leitor 1: A infinita prova de amor que nos destes entregando a Vossa Vida na Cruz para nossa salvação, se renova cada vez que se celebra a Santa Missa, pois a Eucaristia é o Memorial da Paixão. Juntos, Vos bendizemos por tanto amor:
Todos: Nós Vos agradecemos...
Leitor 2: Jesus, viestes a este mundo com o desejo de abrir para nós as portas do Céu que foram fechadas pelo nosso pecado. Ao morrer na Cruz, reparando todos os pecados de todos os tempos, estava consumada a nossa redenção. Mas quisestes permanecer conosco neste Sacramento. Juntos, vos bendizemos por tanto amor:
Todos: Nós Vos agradecemos...
Leitor 1: Por todo o amor que nos testemunhastes em Vossa Sagrada Paixão e Morte e pelo amor que demonstrais a cada pessoa que Vos recebe na Sagrada Comunhão, onde nos comunicais infinitos tesouros de graças, somos eternamente gratos. Juntos, Vos bendizemos por tanto amor:
Todos: Nós Vos agradecemos...
Canto
Vinde, ó irmãos, adorar, vinde adorar o Senhor / A Eucaristia nos faz Igreja, comunidade de amor (bis)

Partimos o único pão, no altar-refeição, ó mistério de amor / Nós somos sinais de unidade na fé, na verdade, convosco, ó Senhor.

3º quarto de hora:
 Reparação

Dirigente: Em atitude de humilde reparação pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo que foram a causa dos sofrimentos do Nosso Divino Redentor, aqui estamos fazendo companhia a Jesus.
Leitor 3: “A hora da nossa redenção. Embora profundamente angustiado, Jesus não foge ao ver chegar sua ‘hora’: ‘E que direi? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim’ (Jo 12,27). Quer que os discípulos lhe façam companhia, mas de experimentar solidão e abandono: ‘Não fostes capazes de ficar vigiando uma só hora comigo. Vigiai e orai, para não cairdes em tentação’ (Mt 26,40-41). Aos pés da cruz, está apenas João, ao lado de Maria e das piedosas mulheres. A agonia no Getsêmani foi o prelúdio da agonia na cruz da Sexta-feira Santa. A hora santa, a hora da redenção do mundo. Quando se celebra a Eucaristia, volta-se de modo quase palpável à ‘hora’ de Jesus , a hora da cruz e da glorificação. Àquele lugar e àquela hora se deixa transportar em espírito cada presbítero ao celebrar a Santa Missa, juntamente com a comunidade cristã que nela participa.
Momento de silêncio
Aclamações de reparação:
Dirigente: Com o coração contrito, mas cheio de confiança em Vossa infinita Misericórdia da qual nos destes tantas provas entregando a Vossa Vida para livrar-nos da morte eterna, queremos pedir humildemente:
- Perdão Jesus, porque somos ainda tão pecadores.
Todos: Perdão Jesus, porque somos ainda tão pecadores.
Dirigente: Senhor Jesus, sabemos que estais Presente e Vivo neste Adorável Sacramento, mas tantas vezes nos aproximamos de Vós sem verdadeiros sentimentos de fé e de amor, sem a devida atitude de respeito e recolhimento. Com o propósito de uma sincera conversão, Vos pedimos:
Todos: Perdão, Jesus...
Dirigente: Na Santa Missa se renova o Sacrifício do Calvário. Mas tantas vezes participamos da Eucaristia de forma tão dissipada e superficial, como se fosse uma reunião como tantas outras. Com o propósito de uma sincera conversão, Vos pedimos:
Todos: Perdão, Jesus...
Dirigente: Vós nos advertistes: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.” Mas, muitas vezes damos mais atenção às vozes tentadoras do mundo do que à Vossa Palavra que nos chama à oração, à Adoração, à penitência, à mudança de vida. Com o propósito de uma sincera conversão, Vos pedimos:
Todos: Perdão, Jesus...
Canto de Reparação
Pelos pecados erros passados por divisões na tua Igreja ó Jesus.
Senhor piedade! Senhor piedade! Senhor piedade! Piedade de nós (bis)

Quem não te aceita quem te rejeita pode não crer por ver cristãos que vivem mal.
Cristo piedade! Cristo piedade! Cristo piedade, piedade de nós (bis)

Hoje se a vida é tão ferida, deve-se a culpa e a indiferença dos cristãos!
Senhor piedade! Senhor piedade! Senhor piedade! Piedade de nós (bis)



                4º quarto de hora:
Súplica

Dirigente: Jesus Querido, queremos agora meditar alguns dos ensinamentos do grande apóstolo de Vossa Presença Eucarística, São Pedro Julião, que nos ajudarão a ter ainda maior confiança em Vosso Amor neste Divino Sacramento.
Leitor 2: O que é a Eucaristia? A fim de que não esquecêssemos porque Nosso Senhor Se colocou sobre o Altar, o que dizia o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo? Isto é Meu Corpo, comei, Isto é Meu Sangue, tomai-O, bebei dele todos. Em memória de que? De Sua Paixão, pois essas palavras da Consagração são as próprias palavras de Nosso Senhor, anunciando que Ele ia ser entregue aos Seus inimigos.
Leitor 3: A Santíssima Eucaristia é o memorial da Paixão de Nosso Senhor, é a continuação da vida de Nosso Senhor no meio de nós, de Sua Paixão de amor. Ele terminou Sua Paixão sangrenta, era a Paixão de nossa redenção, mas Sua Paixão Eucarística é uma Paixão de amor. Nosso Senhor é Vítima. Como Ele não pode mais sofrer nem morrer realmente, porque Ele está em Sua Vida ressuscitada, Ele toma a forma de Vítima e nos deixa o resto; de forma que quando sofremos em união com Jesus no Santíssimo Sacramento, de alguma forma nós Lhe restituímos Sua Vida de redenção, não somente isso, mas completamos Sua Vida Eucarística.”
Momento de silêncio
Aclamações de súplica:
Dir. Antes de nos afastar-nos de Jesus no Horto, recorramos às riquezas infinitas de Vosso Coração divino com os nossos pedidos. (momento de silêncio para a oração pessoal)

Todos: Escutai Senhor o pedido da vossa Igreja aqui reunida.

• O primeiro desejo de Jesus é a salvação das almas; redimir o mundo por meio do amor, estabelecer o Reino do Amor Infinito em toda a terra.

• Ó Jesus, Sacerdote eterno e Salvador do mundo, para realizar este ardente desejo de Vosso Coração, multiplicai as vocações da vossa Igreja, principalmente vocações novas e santas para a Ordem dos Cônegos Regulares Lateranenses. Enviai muitos e santos operários para Vossa messe.

• Ó Jesus, fazei de cada sacerdote um verdadeiro semeador de Vosso amor e um instrumento eficaz de vossa Santidade no mundo.

• Rogo-Vos pelo Santo Padre, pelos Bispos, por todos os sacerdotes que nos fizeram o bem, especialmente os pastores que por aqui passaram.

Dir.  Por todas as almas do purgatório, especialmente as devotas do Coração de Jesus, pelas necessidades da Igreja e por todos os lugares que foram proibidos de celebrar a Páscoa do Senhor, rezemos. Pai Nosso. Ave Maria.

Todos: Deus, nosso Pai e Senhor, nós vos louvamos e bendizemos, por vossa infinita bondade.

Criastes o universo com sabedoria e o entregastes em nossas frágeis mãos para que dele cuidemos com carinho e amor.

Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho do novo céu e da nova terra que prometestes.
Canto de despedida

segunda-feira

A ESSÊNCIA DA VIDA LITÚRGICA DA IGREJA

Podemos afirmar categoricamente, à luz da experiência de fé, que a liturgia consta de elementos humanos e divinos presentes dentro na Igreja. Os divinos não podem ser alterados pelos homens, porque foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo; os humanos, ao contrário, com a aprovação da Santa Sé, assistida pelo Espírito Santo, podem mudar de acordo com as exigências dos tempos, dos lugares e dos fiéis, como constatamos pela história da vida litúrgica da Igreja. Benedictus PP. XVI cita:
Esta Tradição de origem apostólica é realidade viva e dinâmica: ela “progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”; não no sentido de mudar na sua verdade, que é perene, mas “progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas”, como a contemplação e o estudo, com a inteligência dada por uma experiência espiritual mais profunda, por meio da “pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade”(...) A Tradição viva da Igreja que nos faz compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus.[1]
A necessidade de estudar a liturgia, seus fins e sua importância para a Igreja, é algo fundamental para termos uma verdadeira compreensão do significado que a simbologia litúrgica oferece a cada um de nós. Com Ratzinger diremos que o conhecimento da Liturgia é o “centro inspirador da Igreja e da vida cristã na sua beleza, riqueza oculta de uma grandeza que transcende o tempo.”[2]
O povo escolhido por Deus foi convidado a abandonar toda a prática de idolatria[3], procurando tributar à Divindade revelada[4] um culto agradável que deveria ser instrumento de glorificação para Ele e de santificação para si mesmo.
Quando nos debruçamos sobre a vida ritual da Igreja, constatamos que a alma do povo escolhido na Nova Aliança era convidada no avanço da história, ter característica propriamente cristã, tendo como ponto central de sua fé a Santíssima Trindade[5] revelada no próprio Cristo imolado em cada sacrifício eucarístico. A oração da Igreja, desde os primeiros dias de sua instituição passa a ser a oração do próprio Cristo. Já dizia Agostinho ao comparar o “Corpo de Cristo” ao nosso corpo mortal. O que é a alma para o corpo do homem, assim também é o Espírito Santo no corpo de Cristo[6]. Na liturgia podemos constatar que Corpo e Alma se tornam um, formando um único ser (Cristo e os batizamos), pela ação do Espírito Santo.

Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl



[1]              BENEDICTUS PP. XVI (Joseph Ratzinger Aloisius). Verbum Domini. São Paulo: Paulinas, 2011, pp. 39-40.
[2]              RATZINGER, Joseph Aloisius. Introdução ao espírito da Liturgia. 2ª. ed. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 5.
[3]              Ex 20, 1.
[4]              CIC. art. 51,
[5]              id. art. 234.
[6]              MADRID, Teodoro C. La Iglesia Católica según San Agustin: Compendio de Eclesiologia. Madrid: Agustiniana, 1994, p. 135.

A LITURGIA DO POVO ESCOLHIDO POR DEUS




Deus procurou, segundo a Sagrada Escritura, revelar sua bondade e graça ao demonstrar que a obra da criação partiu do seu amor em favor do homem. Uma vez conhecido, procura fazer pactos com aqueles que se comunica e cria relação de intimidade[1], para provar sua fidelidade. Da descendência de Abraão[2], com quem tinha feito uma Aliança[3], escolheu Israel e dele fez uma nação exclusiva para que fosse o povo de sua propriedade[4]. Quando os escolhidos foram escravizados o Senhor o libertou, supriu as suas necessidades durante a peregrinação no deserto e lhes concedeu a terra de Canaã[5].

A partir do Novo Testamento (NT) a Igreja (novo povo de Deus)[6], instituída por Cristo e edificada sobre a presidência de Pedro[7], conforme a teologia tradicional católica afirma, viu na Liturgia a “fonte e cume de sua ação sagrada no mundo, tendo como legado, celebrar os santos Mistérios”[8] do Senhor. A base desta afirmação encontramos no capítulo segundo da Lumen Gentium (LG) do CVII, em que apresenta a intenção de Deus de sempre reunir a “humanidade num povo; com a nova aliança, que Cristo realizou no seu sangue”[9].

Este povo tem uma fonte donde emana a sua força. Qual? A Liturgia: “cimo para qual se dirige a sua ação”[10]. Este serviço sagrado tem natureza própria, qual a Igreja denomina como “espírito da liturgia”[11]. A Comunidade dos batizados, portanto, fiel ao mandato de seu divino Fundador, continua seu ofício sacerdotal, sobretudo na liturgia. Não é uma recordação saudosista, mas memorial, sacramental. Para nos ajudar na reflexão Juan Javier afirma:
A Igreja atua junto com seu divino Fundador. Esse princípio de verdade explica porque o culto é santo e tem o poder santificante. Nele está latente a força de Cristo, que age maravilhosamente em sua Igreja e em toda sua ação litúrgica.[12]

Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl



[1]              Gn 9, 9; 9, 16; 26, 28; 31, 44; Ex 2, 24.
[2]              Hb 11, 10.
[3]              Gn 15, 18.
[4]              Dt 7, 6-9.
[5]              Nm 13, 2.
[6]              CVII. p. 119.
[7]              Mt 16, 18.
[8]              CIC. art. 1165.
[9]              CVII. p.113.
[10]             id. ibid. p. 39.
[11]             GONZÁLES, Ramiro. Piedade popular e liturgia. São Paulo: Loyola, 2007, p. 139.
[12]             FLORES, Juan Javier. Introdução à Teologia Litúrgica. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 276.