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segunda-feira

A VIRGEM MARIA: Uma pessoa ESSENCIAL que contribui na FÉ e na VIDA DA IGREJA

No cumprimento piedoso dos exercícios do culto público que a Igreja prescreve para honrar a Virgem Maria, como a celebração de suas festas, o canto de seus louvores, o reconhecimento de suas aparições e a elevação à dignidade de basílicas menores, igrejas a ela dedicadas, nos obrigam a mirarmos o Trono de Deus e a elevarmos nossos corações em forma de agradecimento pelo tão grande dom (a Virgem Maria) que o Senhor deu a humanidade decaída.
A história dos dogmas e da teologia testemunham a fé e a atenção incessante da Igreja em relação à Virgem Maria e sua missão na economia da salvação. Tais fatos manifestam-se já em alguns escritos do Novo Testamento, e, em não poucas páginas nos autores da Patrística.
Os primeiros símbolos da fé e, sucessivamente, as fórmulas dogmáticas dos Concílios de Constantinopla (d.C. 381), de Éfeso (d.C. 431) e de Calcedônia (d.C. 451), testemunham o progressivo aprofundamento do mistério de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e paralelamente a progressiva descoberta do papel da Virgem Santíssima no Mistério da Encarnação; uma descoberta que conduziu à definição dogmática da maternidade divina de Maria[1].
Podemos nos perguntar: onde achamos o exemplo e o teor do respeito e da honra devida a Maria dentro do cristianismo? Não exageramos em afirmar que devemos partir da Santíssima Trindade mesma; Deus Pai honra-a como sua digníssima filha por ser ela ordinariamente filha de Eva; Deus Filho honra-a e trata-a como sua mãe por meio do seu santíssimo nascimento em Belém; Deus Espírito Santo honra-a como digníssima esposa quando fecunda o seu ventre com a Graça.
A atenção da Igreja em relação a Virgem Maria continuou em todos os séculos, com muitas declarações. Recordamos aqui o grande Santo Agostinho de Hipona, pai e legislador de uma grande família religiosa que atua na Igreja até hoje. Ele dedica em algumas de suas alocuções ou escritos à Mãe do Senhor, certas afirmações que merecem ser pontuadas aqui. Vejamos:
Crê-se comumente que Cristo foi concebido no dia 25 de março e que veio a morrer nessa mesma data. O sepulcro novo no qual ninguém havia sido sepultado é como o seio virginal de Maria, no qual, nem antes nem depois, nenhum mortal haveria de nascer, por contato de varão. (A Trindade IV, 5,9)[2]
 Ainda não se tinha uma sistematização da teologia no século V, tal como a conhecemos hoje, mas graças a atenção especial dada ao Mistério do nascimento, paixão, morte e ressurreição de Cristo, e a Trindade que são pontos centrais de nossa fé, a Igreja à luz da cristologia permite que aconteça um florescimento da reflexão mariológica que foi crescendo na Idade Média, ganhando vigor no século XX, depois do Concílio Vaticano II.
Com a Igreja dizemos que a Virgem Maria é digna de honra e louvor, por causa dos méritos de Cristo, de sua humildade e grandeza, de sua eminente santidade a que chegou, por causa de uma vida colocada a serviço do Reino de Deus. São João Paulo II refletindo sobre as diversas representações da Mãe do Senhor por meio das imagens, afirmou: Maria está representada como trono de Deus, que leva o Senhor e o apresenta aos homens.[3] Chegar a proclamar tão grande afirmação é para a teologia cristã algo revolucionário, pois, pode soar aos ouvidos dos não católicos como inadmissível, mas o santo padre não estava fora de si, ao escrever tal coisa, nem estava contrário à revelação bíblica. O próprio evangelista Mateus registrou em seu evangelho este fato histórico para a fé (Mt 2, 11) que Wojtyla interpreta utilizando a ótica da teologia espiritual.
A Mariologia passou a ser criticada por aqueles que não acompanharam a evolução positiva da teologia cristológica, porque, segundo os críticos, tentou sistematizar uma “teologia” que não condiz com a “Maria da bíblia”. A “Maria da bíblia é uma simples serva do Senhor e uma mulher humilde apenas, que Deus escolheu para conceber e dar a luz a Jesus”, afirma algumas vozes. Mas, sabemos que no plano salvífico da redenção, a Mãe de Jesus ocupa um lugar singular, pois o Filho de Deus é “carne da carne de Maria e sangue do sangue dela”.
Elevar Maria à dignidade de ser respeitada e louvada no seu devido lugar depois de Deus, justamente por causa de seu sim ao Senhor e de sua humildade, não foi uma invencionice da Igreja Pós-era Apostólica, mas partiu do próprio tempo em que Deus fez conhecer a sua manifestação a Zacarias e Isabel. A mãe do Batista perguntou a Deus de onde viria a honra que a “Mãe do seu Senhor” a fosse visitar (Lc 1, 43). Dizer e nem permitir que a Virgem Maria não deve ser honrada com o culto da dulia, é negar a própria divindade de Jesus que fora reconhecido por Isabel como o Kyrios humanado.
Todos têm o direito de não rezar para Maria, nem honrá-la com a devida dignidade que os cristãos católicos orientais e latinos fazem, porém, negar que ela seja a “Mãe de Deus” é pecar contra o próprio Deus. A teologia joanina nos assegura que “Jesus é Deus”: E o Verbo se fez Carne e habitou entre nós (Jo 1, 14).
Não esquecemos a humildade de Maria quando dedicamos a ela como “padroeira” de uma catedral, de uma igreja ou capela; de uma cidade, Estado ou Nação. Ser padroiro(a) é sinônimo de guarda, cuidador, defensor, porque “aquele lugar tem um dono, um proprietário”. Então, o verdadeiro dono ou proprietário daquele lugar é Deus. É Ele o único digno de adoração! O(a) padroeiro(a) apenas cuida, escuta, conserva a unidade em um lugar que já tem Dono.

A Virgem Maria não foi um simples “instrumento de Deus”
Quando ouvirmos a expressão de que “Maria não passou de um instrumento de Deus para trazer Jesus ao mundo”, não devemos responder à altura de tal afirmação. Somos convidados a ir mais adiante, pois nossa fé cristã nos ensina que não é só isto. É certo de que no livro de Atos dos Apóstolos, na Igreja Católica iniciante, Lucas procurou não dar destaque a figura de Maria como “Senhora dos Apóstolos”, porque o fato mais importante ali era a vinda do Espírito Santo em Pentecostes, festa da inauguração da Igreja; o testemunho do Ressuscitado; a alegria da Comunidade pela conversão de Paulo e a riqueza do exemplo daqueles que passaram a ser chamados de cristãos pela primeira vez na história (At 11, 16). Porém, o autor sagrado fez questão de dizer que a Mãe de Jesus estava ali (At 1, 14). Ela acompanhava a Igreja com suas preces, pois Aquilo que iria acontecer ali com os apóstolos e algumas mulheres, já havia realizado grandes coisas, primeiro na vida da Virgem Maria no dia da Anunciação. Então, para a “Mãe de Jesus” aquilo não seria nenhuma novidade. Lucas ao citar a presença de Maria no meio dos Apóstolos quer dizer-nos que não podemos separá-la da Igreja.

Como Maria se tornou a “Nossa Senhora”?
Dados históricos:
O culto à Virgem Maria está presente já no início da era cristã. Segundo a arqueologia, em Éfeso na Turquia, encontramos perto de uma das sete igrejas do Apocalipse um templo dedicado a Mãe de Jesus no século III (a IV?). Em Roma, onde a história aponta como lugar do martírio de São Pedro e São Paulo, a primeira basílica a ser construída foi dedicada ao Santíssimo Salvador do mundo, logo em seguida a basílica liberiana ou a Santa Maria Maior no século V, dedicada à Mãe de Deus, tornando-se o templo a Maria mais visitado e querido da época, marco histórico do grande Concílio de Éfeso que afirma a unidade da humanidade e divindade de Jesus no ano 431.
Em 1317, o Papa João XXII reconhece a riqueza da oração da “Ave Maria”. Pelo seu valor doutrinal, não podemos deixar de recordar a Bula dogmática Ineffabilis Deus (8 de Dezembro de 1854) do Papa Pio IX que reconhece e proclama o Dogma da Imaculada Conceição. Em 1 de novembro de 1950 o grande Pio XII entrega a Constituição Munificentissimus Deus que definitivamente, assistido pelo Espírito Santo, reconhece e proclama o Dogma da Assunção da Virgem Maria ao céu de corpo e alma. No ano de 1964 a Igreja promulga a Constituição Dogmática Lumen Gentium, cujo capítulo VIII constitui uma síntese mais ampla e autorizada da doutrina católica sobre a Mãe do Senhor, até agora realizada por um concílio ecumênico, nos apontando como devemos olhar para a Virgem Maria.
 Recordarmos aqui por seu significado teológico e pastoral, outros documentos como a Professio fidei (30 de Junho de 1968); as Exortações apostólicas Signum magnum (13 de Maio de 1967); aMarialis cultus (2 de Fevereiro de 1974) do Papa Paulo VI, e a Encíclica Redemptoris Mater (25 de Março de 1987) de São João Paulo II. Com todos estes documentos formam-se uma ótica mariológica na Igreja, capaz de ver a história de Maria entrelaçada com a vida do povo de todas as nações que foram alcançadas pela mensagem do Evangelho de Cristo Jesus.

 Dados teológicos:
O senso comum da fé dos fiéis que tem Jesus como o seu Senhor (Fl 2, 11), passou com o tempo a chamar a mãe de Cristo como a sua “senhora”, tendo como base bíblica o ato de entrega que aconteceu a João no alto da cruz (Jo 19, 27).
A Virgem Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar no Plano de Salvação do gênero humano[4]. Chamada a ser a Mãe do Redentor, respondeu a este apelo com seu “sim” (cf. Lc 1,38). O Evangelho nos mostra como ela está presente junto Jesus, indicando-lhe a ocasião para que fizesse seu primeiro milagre, nas bodas de Caná[5]. Por aquele milagre, seus discípulos chegaram à fé no Filho de Maria (cf. Jo 2,11). Porém, repito, foi na cruz que esta Mulher recebeu a missão de ser mãe do discípulo de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19, 26), tornando-se a “Nossa Senhora”. Por isto ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At 1,14). Sua missão não sessou! Até a segunda vinda de Cristo, na consumação do Reino de Deus, Maria continua realizando seu papel de mãe amorosa para com toda a Igreja e por cada um de seus filhos.
 Muitos chamam a Virgem Maria de Co-Redentora. Pode soar aos nossos ouvidos como querer forçar demais, colocar a Mãe de Jesus em um posto extremamente elevado, no meio da ação salvadora de Deus que não condiz com a sua dignidade de criatura. Seria igualá-la à divindade de seu Filho que esvaziou-se de si mesmo, chegando a ser sacrificado como um cordeiro (I Pd 1, 18-21) por amor à humanidade. Todo sacrifício que podíamos fazer, jamais chegaria a perfeição. Por isso, Deus preparou uma Vítima perfeita, gerada no ventre de uma mulher: Ele mesmo. Tornou-se um homem (Jo 1, 14) e passou por tudo que nós passamos, mas sem pecar (Hebreus 2, 14-15), oferecendo-se em sacrifício único e perfeito pelos nossos pecados.
O mais importante aqui é compreendermos que não existe nenhuma competição entre Nosso Senhor Jesus Cristo e sua mãe a Virgem Maria. A Igreja entendeu no decorrer da história que dando amor a Mãe de Deus, não estamos diminuindo em nada o amor ao próprio Senhor que morreu, mas vive para sempre.
A Igreja, desde a Era Apostólica creu e proclamou que não há salvação em outro nome a não ser em Jesus (cf. At 4, 12). Quando chamamos a Virgem Maria de Co-Redentora não estamos dizendo que Cristo salvou metade ou 95% da humanidade e Maria salvou a outra parte. Não é isto! Nosso Senhor salvou toda a humanidade, 100%. Deus poderia fazer com que redenção viesse ao mundo por um decreto, um estalar de dedos, mas ele não quis isto. Seria humilhante demais para o homem, e, ao mesmo tempo, não saberíamos como fazer para vencer as batalhas do dia a dia. Se o pecado entrou no mundo por um homem[6], era necessário que essa culpa fosse retirada também por um homem de igual modo.
Quanto ao título Co-Redentora dado a Virgem Maria, reflete toda a participação intensa que ela teve no mistério da Salvação. Certamente, o sofrimento da Mãe do Senhor ao pé da cruz é o motivo mais forte para entendermos este título. A alma dessa Mulher foi transpassada simbolicamente pela imagem de uma espada predita por Simeão na apresentação de Jesus no templo (cf Lc 2, 35). Essa “dor” profetizada sobre a esposa de José por um homem temente a Deus é a ótica teológica necessária para o “senso comum dos fiéis” na Igreja entenderem a co-redenção de Maria. São Bernardo de Claraval, em um dos seus sermões proclamou:
Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada traspassou tua alma. Aliás, somente traspassando-a, penetraria na carne do Filho. De fato, visto que o teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente teu – a lança cruel, abrindo-lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma dele, mas ela traspassou a tua alma. A alma dele já ali não estava, a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isto a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal. E pior que a espada, traspassando o corpo espiritual, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre o espírito: Mulher, eis aí o teu filho?(Jo 19, 26). Oh! Que troca incrível! João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro.[7]
Maria esteve ao lado de Jesus na Manjedoura e na Cruz, do presépio ao calvário, participou de sua oferenda ao Pai em expiação de nossos pecados. A Igreja define efetivamente que nenhuma criatura se pode equiparar ao Verbo encarnado e Redentor; mas, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo povo fiel, com a bondade de Deus sendo uma só, se difunde variamente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui, antes suscita na humanidade cooperações diversas, que participam dessa única fonte. A criatura mais eminente e subordinada a Cristo é a Virgem Maria. Esta função inferior da Mãe de Jesus, não hesita a Igreja em proclamá-la; sente-a constantemente e inculca-a aos fiéis, para mais intimamente aderirem, com esta ajuda materna, ao seu Mediador e Salvador [cf. Lumem Gentium 62].[8]
 Olhar para Maria com a ótica da co-redenção é crer sem incorrer no erro herético, que ela sofreu o martírio do coração ao mesmo tempo em que Cristo sofria na carne as dores da Paixão. Não é somente porque ela é mãe biológica de Jesus, mas pela fé depositada nEle; não por seus próprios méritos, mas nos de Cristo, Carne de sua carne, Sangue de seu sangue. Repetimos, negar a co-redenção é negar que nós tenhamos méritos de condigno, que possamos nos unir a Cristo e sofrer com Ele pela humanidade.
Novamente insistimos que não há nada de estranho no título de Co-Redentora se analisarmos as palavras de São Paulo ao escrever aos Romanos (8,17), onde somos chamados de “co-herdeiros com Cristo, pois, uma vez que, tendo participado dos seus sofrimentos, também participamos da sua glória”. Veja que nenhum de nós tem condições de ser comparado a Jesus, mas mesmo assim o Apóstolo diz que somos co-herdeiros com Cristo, ou seja, juntos com Jesus receberemos a recompensa, porque também nós participamos de seus sofrimentos. Sabemos que nossa herança não é exatamente a mesma de Cristo e que nem participamos da mesma forma nos seus sofrimentos (de morrermos crucificados), mas mesmo assim ganhamos o título de co-herdeiros. O mesmo acontece com a Virgem Maria: sua Co-Redenção não é a mesma Redenção realizada pelo Filho, mas o título deve ser este por causa da sua singular participação neste mistério. Isto a teologia pode exaustivamente nos ajudar na compreensão. Santo Agostinho no sermão 72 vem afirmar:
Cristo quis assumir para si o sexo masculino, e dignou-se honrar, em sua mãe, o sexo feminino. (...) Caso Cristo se tivesse feito homem sem ter consideração pelo sexo feminino, a mulher teria perdido a esperança, tanto mais, tendo-se em conta que por ela o homem havia caído. Por isso, Cristo honrou a um e a outro sexo, e cuidou de um e de outro. Ele nasce de uma mulher. Não vos desespereis, ó homens: Cristo dignou-se nascer de uma mulher! À salvação que vem de cristo acorram todos. Venha o sexo masculino e o feminino. Na fé, não há distinção alguma.[9]
O Doutor da Graça, mais do que qualquer outro Padre da Igreja, insistiu sobre o papel incomparável de Maria, na redenção da humanidade. Volto ao episódio da Crucifixão de Jesus para dizer que no coração da Mulher tomada por João como mãe (Jo 19, 27) podemos ver o ícone da misericórdia de Deus. Pois somente na Cruz é que entendemos com clareza o cântico de Maria quando aclama no seu Magnificat: Sua misericórdia se entende de geração em geração(Lc 1, 50).
Para nós cristãos, deixar de afirmar que Maria é co-redentora não diminui em nada a sua grandeza diante de Deus. O fato de que ela participou do plano divino da salvação de forma singular é o suficiente para amá-la e honrá-la também de forma especial. Todos nós sabemos que o verdadeiro amor se manifesta na capacidade de doar-se sem medida[10], e ninguém mais do que a Mãe do Senhor pode ser colocado como modelo para a Igreja. Ao lado de Maria colocamos São José pela sua humildade e silêncio. Pois, quase sempre tem ficado escondido na pregação sobre as “glórias de Maria”. Até nisto São José continua dando-nos o exemplo do seu cuidado, para que Jesus e Maria apareça, e ele diminua.

São José, o maior pregador do silêncio        
Os cristãos católicos têm grande carinho por São José porque foi depois da Virgem Maria, o homem que viveu humanamente com a Graça de Deus, o próprio Cristo Jesus.
Se desde a eternidade a Mãe do Verbo foi escolhida e predestinada no coração de Deus, assim também, não é perigoso afirmar que José recebeu a mesma missão antes de todos os séculos. Vejamos:
Maria não podia ser mãe de Deus independentemente de José. Essa Virgem, acariciada pelo Eterno antes dos séculos, cantada pelos Profetas, representada por Rainha e heroínas da antiga Lei, necessitava de um companheiro à sua altura; e este esposo não foi outro, além de José, como consta nos Evangelhos. Se dado decreto divino, o Verbo deveria nascer de uma virgem desposada, isto não era possível sem José. (...) No Plano da Redenção entra São José como fator necessário e condição indispensável para o nascimento de Cristo. (...) Como São José é inseparável do seu Filho Adotivo e personagem necessária na obra da Encarnação, podemos afirmar que para esse fim, foi predestinado em união de sua amada esposa.[11]

O que vemos aqui é algo grandioso demais para uma criatura, se não fosse pelo próprio desejo do Senhor e aceitação espontânea da pessoa escolhida. Sem José não seria possível falar da Sagrada Família, nem diríamos que o Filho de Deus teve um Custódio e Nutrício tão especial, capaz de pregar sem falar uma só palavra. Nesse sentido, Santo Alberto Magno o exalta dizendo: Fez de seu coração e de seu corpo um templo ao Espírito Santo, no qual ofereceu a si mesmo a Deus e, em si mesmo, a mais perfeita castidade de corpo e alma, no mais aceitável e agradável sacrifício a Deus.[12]
    
Maria sempre presente, inclusive em terras brasileiras
Somos convidados a fazer de nossa casa um território que pertença a Cristo, tendo a Virgem Maria como modelo de vida na fé.
Já ouvimos falar da famosa “Escola de Maria”, nela devemos ser educados na esperança, fé e caridade, afim de vivermos em constante estado de missão, segundo nos pede a Igreja. Peçamos a Mãe do Senhor que nos faça por sua intercessão, sermos apaixonados pela Sagrada Escritura. Para Maria, trilhar o singelo caminho do dia a dia, não significava perder de vista a meta já alcançada, está em Deus.
Toda mãe é a psicóloga da família, assim podemos dizer, pois é aquela que ouve, aconselha, enfrenta o problema de frente. A mãe, quer seja biológica ou do coração, por autoridade de Deus é aquela que dar ordens, que impõe regras e limites. Com Maria não foi diferente. Quando viu que era possível sim, uma intervenção milagrosa de seu Filho, não pensou duas vezes. Apenas deu a ordem: “faça tudo o que ele vai mandar vocês fazerem” (cf. Jo 2, 5).
 Hoje, somos convidados a incluir na lista de milhões de devotos da Virgem Maria, alguns nomes de pessoas simples que se destacaram na história do povo brasileiro pela audácia da fé no poder suplicante da Mãe de Jesus. Falamos dos pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia. Estes homens nos ensinaram pela humildade e respeito para com a pequena Imagem retirada do rio Paraíba do Sul por suas redes, que a história da salvação precisou daquela “Senhora” representada naquela imagem que inesperadamente veio agarrada naquelas linhas.
Na rede veio a pequenina imagem da Imaculada Conceição, depois vieram os peixes, e desde o ano 1717 continuam a vir graças e milagres da parte de Deus, espalhando-se por todo o Brasil que pede o socorro dos Céus a Maria. Por isso já ouvi dizer, e ouso a repetir que a Imagem de Aparecida saiu do rio por meio de um instrumento de trabalho dos pescadores, para entrar no coração do Brasil, sendo sinal evangelizador sempre atual, de um valor incalculável para esta Nação.
Maria por vontade de Deus foi Lurdes e ao México. Em Aparecida não houve uma aparição a nenhum vidente, mas na pequenina Imagem retirada das águas, vimos a Filha de Deus Pairepresentada como grávida por obra do Espírito Santo, para dizer que ela nunca vem sozinha. Em outras palavras, Jesus está sempre com Maria e Maria está com Jesus.
Foto de: Thiago Leon
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Está a Virgem Maria em Aparecida de mãos postas
para nos dizer que a nossa meta é o céu.
Está a Virgem Maria em Aparecida de mãos postas para nos dizer que a nossa meta é o céu. Não nos cansemos de caminhar! Precisamos reaprender a ler o Mistério de Aparecida, não com os olhos da análise cética do mundo, mas com a ótica do povo simples que vai a capital da fé do povo brasileiro trocar olhares com a “Mãe do Céu” e derramar as lágrimas suplicantes. Na passarela que dá acesso ao nicho aonde está a Imagem da Padroeira do Brasil, reis e presidentes depõem suas coroas, ricos se igualam aos pobres, poderosos levantam a vista para o alto, tornando-se pequenos com os demais, e os simples são elevados, chegando a terem certeza de que podem ser ouvidos pela tão grande Moradora permanente daquele Santuário.
Ao chegarmos ao final de nossa reflexão somos convidados a olharmos as grandezas de Maria como a Mulher admirável pelo modo que se tornou mãe. Admirável pela autoridade que exerceu legitimamente sobre Jesus Cristo, seu filho e filho de Deus; admirável sobre o Calvário onde associou, de modo perfeito, ao grande sacrifício da Redenção. Neste momento, encerramos nossos argumentos com uma singela oração a Senhora de Aparecida, mãe do Cristo:
Rainha eu creio em vosso poder/ Ó Mãe Admirável eu creio sem ver.
Vossa soberania vitoriosa me dá/ Alento e confiança de que não falhará.
Eu vos amo ó Mãe que sempre me amais/ Eu vos amo também quando nada me dais.
Aumentai a minha fé, a confiança e o ardor/ Em tudo me daí conhecer o vosso amor. Amém.
 Cônego José Wilson Fabrício da Silva, crl
(Membro da Academia Marial de Aparecida)

CRÉDITOS DA MATÉRIA: http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/a-virgem-maria-uma-pessoa-essencial-que-contribui-na-fe-e-na-vida-da-igreja

[1]             Cf. CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA: A Virgem Maria na formação intelectual e espiritual. São Paulo: Edições Loyola, 1989, p.12
[2]             AGOSTINHO, Santo. A Virgem Maria: Cem textos marianos com comentários. 7ª Ed. São Paulo: Paulus, 2014, p. 45.
[3]             Cf. JOÃO PAULO II. Redemptoris Mater. São Paulo: Paulinas, 1970, p.53. num. 32.
[4]             Gêneses 3, 15.
[5]             João 2, 5.
[6]             Romanos 5, 12.
[7]             LITURGIA DAS HORAS: Segundo o Rito Romano. Tomo IV. Vozes: São Paulo, 1999, p.1281-1282.
[8]             CONCÍLIO VATICANO II. Mensagens, discursos e documentos. 2ª. ed. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 421.
[9]             AGOSTINHO, Santo. A Virgem Maria: Cem textos marianos com comentários. 7ª Ed. São Paulo: Paulus, 2014, p. 79.
[10]             GUIMARÃES, Valdivino (Org.). Maria trono da Sabedoria. Aparecida: Santuário, 2015, p. 134.
[11]             Cf. CANTER, R. P. Im. Santa Rita. San José en el Plan Divino. Madrid: Monachil, 1917, p. 47-48. Tradução nossa.
[12]             LLAMERA, Bonifacio. Teología de San José; Madrid: BAC, 1953, p. 160.

terça-feira

HORA SANTA PARA AS 24H PARA O SENHOR COM O PAPA FRANCISCO

Tema: "Deus rico em misericórdia" (Ef 2, 4)


1. ACOLHIDA
Animador: Em união com o Papa Francisco, aqui estamos, queridos irmãos, para juntos celebrarmos as "24 horas para o Senhor". A Igreja deve ser Casa da Misericórdia, onde cada um possa fazer experiência do amor misericordioso de Deus e da alegria do perdão. Rezemos pela Paz no mundo, pela Santificação dos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais.

Canto: à escolha
Após a incensação do Santíssimo, o Celebrante saúda a Assembleia.

Saudação do Presidente: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
T.: Amém.
Dir: Irmãos e Irmãs, que o Deus nosso Pai, cheio de bondade e misericórdia, abra vossos corações para a Sua Palavra e nos conceda a paz. Atenda às nossas orações e nos reconcilie com Ele e com os irmãos e irmãs.
T.: Bendito seja Deus que agora nos reúne no amor do Senhor Jesus Cristo na força de seu Espírito.
Saudação espontânea a Jesus Hóstia Santa
  
Leitor 1: Ajoelhados e com os olhos em Jesus Hóstia Santa, vamos colocar as intenções do Papa Francisco, aos pés desse Deus Misericordioso que clamar pelo Seu Sangue e Água. Pelo Sangue que jorrou do Seu Coração, para purificar a nossa alma, o nosso físico, nossas dores e enfermidades. E que a Água que jorrou do Seu Coração transpassado pela lança, seja agora para nós e para sempre, fonte de vida, de cura, de libertação e de purificação. Façamos juntos, agora, a nossa oração de abandono e de entrega. Repita por três vezes em seu silêncio interior: “Sacratíssimo Coração de Jesus vivo e presente neste augusto Sacramento, eu confio e espero em Vós”! (Pausa – Silêncio absoluto).

Oração: (Todos) – Ó Coração de Jesus, abrasado de amor por nós, aqui estamos para louvar, bendizer e agradecer pelas inumeráveis manifestações do Vosso amor para conosco. O Papa Francisco nos convocou e nós atendemos o seu chamado para estar convosco. Que o Vosso Sacratíssimo Coração, manso e humilde, acolha-nos com expressões que nos animam a seguir Vossos passos e a ouvir o que nos disse: “Vinde a mim, vós que estais aflitos e cansados e Eu vos aliviarei, porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Amém.

Cantemos: 
A ti meu Deus, Elevo meu coração, Elevo as minhas mãos, Meu olhar, minha voz./ A ti meu Deus eu quero oferecer, Meus passos e meu viver, Meu caminhos, meu sofrer.

A tua ternura Senhor vem me abraçar, E a tua bondade infinita me perdoar, Vou ser o teu seguidor e te dar o meu coração, Eu quero sentir o calor de tuas mãos.

Dirigente: (Doutrina Espiritual) – Que o Espírito Santo abra o nosso coração com a chama do divino amor, tornando-o sensível à queixa amorosa de Jesus, dirigida a Santa Margarida Maria de Alacoque: “Eis o Coração que amou os homens até consumir-se para lhes testemunhar o seu amor. E como reconhecimento, só recebe, da maioria, ingratidões por suas irreverências, friezas e desprezos que têm  para comigo neste Sacramento do Amor. E o que é ainda mais sensível, para mim, são corações consagrados a mim que também procedem dessa maneira”. Consolemos a Jesus Eucaristia com as nossas reverências e com o nosso amor. Ele tem grande desejo de ser amado. Esse ardente desejo, o Senhor manifestou no alto da cruz: “Tenho sede” como também no poço de Jacó: “Dá-me de beber”.Jesus, realmente, sentiu sede física pelo muito sangue derramado, mas outra sede devorava o Seu Coração: sede misteriosa, sede de amor, sede de almas. Ainda hoje, ele nos repete: tenho sede do vosso amor, da vossa correspondência para a vossa eterna felicidade.
(Pausa para reflexão, arrependimento e perdão – em seguida rezar o salmo).

Ant. 1 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! 
Vós sois meu Deus, eu vos exalto!

 Salmo 117(118) 
 Canto de alegria e salvação
 
      Ele é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se     tornou a pedra angular (At 4,11). 

1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! * 
'Eterna é a sua misericórdia!' 

2  A casa de Israel agora o diga: * 
'Eterna é a sua misericórdia!' 
3 A casa de Aarão agora o diga: * 
'Eterna é a sua misericórdia!' 
4 Os que temem o Senhor agora o digam: * 
'Eterna é a sua misericórdia!' 

5 Na minha angústia eu clamei pelo Senhor, * 
e o Senhor me atendeu e libertou! 
6 O Senhor está comigo, nada temo; * 
o que pode contra mim um ser humano? 
7 O Senhor está comigo, é o meu auxílio, * 
hei de ver meus inimigos humilhados. 

8 'É melhor buscar refúgio no Senhor, * 
do que pôr no ser humano a esperança; 
9 é melhor buscar refúgio no Senhor, * 
do que contar com os poderosos deste mundo!' 

10 Povos pagãos me rodearam todos eles, * 
mas em nome do Senhor os derrotei; 
11 de todo lado todos eles me cercaram, * 
mas em nome do Senhor os derrotei; 

=12 como um enxame de abelhas me atacaram, † 
como um fogo de espinhos me queimaram, * 
mas em nome do Senhor os derrotei. 

13 Empurraram-me, tentando derrubar-me, * 
mas veio o Senhor em meu socorro. 
14 O Senhor é minha força e o meu canto, * 
e tornou-se para mim o Salvador. 
15 'Clamores de alegria e de vitória * 
ressoem pelas tendas dos fiéis. – 

=16 A mão direita do Senhor fez maravilhas, † 
a mão direita do Senhor me levantou, *
a mão direita do Senhor fez maravilhas!' 

17 Não morrerei, mas, ao contrário, viverei * 
para cantar as grandes obras do Senhor! 
18 O Senhor severamente me provou, * 
mas não me abandonou às mãos da morte. 

19 Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; * 
quero entrar para dar graças ao Senhor! 
20 'Sim, esta é a porta do Senhor, * 
por ela só os justos entrarão!' 
21 Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes * 
e vos tornastes para mim o Salvador! 

22 'A pedra que os pedreiros rejeitaram, * 
tornou-se agora a pedra angular. 
23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: * 
Que maravilhas ele fez a nossos olhos! 
24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, * 
alegremo-nos e nele exultemos! 

25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, * 
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!' 
26 Bendito seja, em nome do Senhor, * 
aquele que em seus átrios vai entrando! 
– Desta casa do Senhor vos bendizemos. * 
27 Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine! 

– Empunhai ramos nas mãos, formai cortejo, * 
aproximai-vos do altar, até bem perto! 
28 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! * 
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores! 
29 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! * 
'Eterna é a sua misericórdia!' 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * 
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! 
Vós sois meu Deus, eu vos exalto!


2-NOSSA RESPOSTA DE GRATIDÃO AO DEUS DE AMOR                                  

Dirigente: Estamos nos preparando para a Solenidade da Páscoa neste Ano Santo da Misericórdia. Confiantes no amor e na providência do Senhor, façamos a nossa oração pessoal. Em silêncio, contemplemos a Deus presente no meio de nós na Eucaristia. (uns 3 min. De total silêncio) juntos, cantemos:

Canto:
O povo de Deus no deserto andava, Mas à sua frente Alguém caminhava./ O povo de Deus era rico de nada, Só tinha a esperança e o pó da estrada.
Também sou teu povo, Senhor, E estou nessa estrada, Somente a Tua graça me basta e mais nada.

O povo de Deus também vacilava; Às vezes custava a crer no amor./ O povo de Deus, chorando, rezava, Pedia perdão e recomeçava.
Também sou teu povo Senhor, E estou nessa estrada, Perdoa se às vezes não creio em mais nada.

O povo de Deus também teve fome, E Tu lhe mandaste o pão lá do céu. O povo de Deus, cantado deu graças; Louvou Teu amor, Teu amor que não passa.
Também sou teu povo Senhor, E estou nessa estrada. Tu és alimento na longa jornada.

O povo de Deus ao longe avistou, A terra querida que o amor preparou. O povo de Deus corria e cantava, E nos seus louvores Teu poder proclamava. 
Também sou teu povo Senhor, E estou nessa estrada, Cada dia mais perto da terra esperada.


3-ORAÇÃO PELO SERVIÇO DOS SACERDOTES

Lado 1: Deixai, ó Jesus, que em vosso Coração Eucarístico, depositemos as mais ardentes preces pelos nossos consagrados ao Vosso Altar. Multiplicai as vocações sacerdotais em nossa pátria; atrai ao vosso presbitério os filhos vossos na terra inteira; chamai-os como instância ao vosso ministério!

Lado 2: Ó Jesus, Bom Pastor, Vós, que viestes procurar e salvar o que estavam perdidos, instituístes o sacerdócio da Santa Igreja, para que se perpetuasse a obra da Redenção. Nós vos pedimos instantemente: mandai operários à vossa vinha, mandai sacerdotes dignos à Vossa Igreja, mandai irmãos religiosos, mandai irmãs religiosas.

Lado 1: Fazei que todos aqueles que, desde a eternidade, escolhestes para o Vosso Santo Serviço, sigam o Vosso chamamento, mas não permitais que um indigno suba os degraus dos nossos altares. Confirmai todos os sacerdotes em sua árdua vocação e abençoai seus esforços e trabalhos. Assim sabemos, que um sacerdote santo, santifica toda a paróquia.

Lado 2: Fazei que sejam o sal da terra, o sal que preserva da corrupção; que sejam a luz do mundo, que iluminem nós os batizados, pela palavra e pelo exemplo. Dai-lhes sabedoria, paciência e fortaleza, para que promovam a Vossa honra, propaguem o Vosso Reino nos corações do homens e conduzam a almas que lhes forem confiadas à vida eterna. Amém.

CANTO: Tu és Senhor, o meu Pastor, por isso nada em minha vida faltará (bis)

4-PALAVRA DE DEUS

Leitor da Palavra: Durante essa hora não devemos deixar de meditar a Palavra (Evangelho - Lc 15, 11-32)

Naquele tempo: Jesus contou-lhes esta parábola: 11 'Um homem tinha dois filhos. 12 O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. 13 Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14 Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15 Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16 O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17 Então caiu em si e disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18 Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: `Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19 já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'. 20 Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. 21 O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'. 22 Mas o pai disse aos empregados: `Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23 Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24 Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'. E começaram a festa. 25 O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26 Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27 O criado respondeu: `É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde'. 28 Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29 Ele, porém, respondeu ao pai: `Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30 Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado'. 31 Então o pai lhe disse: `Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32 Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'. Palavra da Salvação. (Silêncio para contemplar a cena do Evangelho)
5-REFLEXÃO
Leitor 1: A Quinta-Feira Santa que em breve iremos celebrar, é o dia em que o Senhor confiou aos Doze a tarefa sacerdotal de celebrar, no pão e no vinho, o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, até à sua volta. Junto ao serviço aos irmãos, deveríamos celebrar os Santos Mistérios.

Leitor 2: Na ordenação de um diácono, de um padre e de um bispo, encontra-se o antiquíssimo gesto da imposição das mãos, com o qual Nosso Senhor toma posse do ordenando, dizendo-lhe: “Tu me pertences”. Mas com isto disse também: “Tu estás sob a proteção das minhas mãos. Tu encontras-te sob a proteção do meu coração. Tu estás conservado na palma da minha mão e é precisamente assim que te encontras na vastidão do meu amor. Permanece no espaço das minhas mãos e dá-me as tuas”.” Rezemos para que possamos valorizar este gesto de Jesus que a Igreja preserva até hoje. É a única forma de consagrar um homem ao Serviço ministerial de Jesus Sacerdote.

Todos (cantando)Toma minhas mãos: te peço! toma meus lábios: te amo! Toma minha vida! Ó Pai, teu sou! Teu sou!
(Momento para pausa e reflexão pessoal)

Leitor 3: Além disso, recordemos que as mãos dos sacerdotes foram ungidas com o óleo, que é o sinal do Espírito Santo e da sua força. Por que precisamente as mãos? A mão do homem é o instrumento do seu serviço, é o símbolo da sua capacidade de enfrentar o mundo, exatamente de “o tomar pela mão”. O Senhor impôs as suas mãos sobre os sacerdotes e agora quer que suas mãos até o fim do mundo, se tornem as suas. Rezemos para que todos os presbíteros nunca se esqueçam disso.
Todos (cantando): Tomado pela mão, com Jesus eu vou! Sigo como ovelha que encontrou o Pastor Tomado pela mão, com Jesus eu vou aonde Ele for!
 (Momento para pausa e reflexão pessoal)

Leitor 3: Todos os sinais essenciais da Ordenação sacerdotal são, em última análise, manifestações desta palavra: a imposição das mãos; a entrega do Livro da sua Palavra, que Ele nos confia; a entrega do cálice, com o qual nos transmite o seu Mistério mais profundo e pessoal. De tudo isto faz parte também o poder de absolver: Ele faz-nos participar inclusive na sua consciência, em relação à miséria do pecado e a toda a obscuridade do mundo, enquanto coloca nas mãos dos sacerdotes a chave para reabrir a porta da casa do Pai, quando confessamos os nossos pecados. Rezemos para que em nossa paróquia, nunca abandonemos o Sacramento da Penitência, tão importante para nossas almas, como a água para a limpeza de nossos corpos.

Todos (cantando): Te amarei Senhor, te amarei Senhor, eu só encontro a paz e alegria bem perto de ti.

Leitor 4: A nossa Mãe Igreja nos ensina que ser amigo de Jesus, ser sacerdote, significa ser homem de oração. É deste modo que O reconhecemos e saímos da ignorância dos simples servos. Assim aprendemos a viver, a sofrer e a agir com Ele e por Ele. A amizade com Jesus é sempre amizade com os seus. Só podemos ser amigos de Jesus na comunhão com Cristo inteiro, com a cabeça e o corpo, que é a unidade dentro da Igreja. Rezemos para que os nossos sacerdotes sejam sempre unidos e nos ajudem a ser uma comunidade unida, sem competição pelos primeiros lugares em nenhum campo de trabalho.
 (Momento para pausa e reflexão pessoal)

Todos (cantando): Toma, Senhor, nossa vida e ação, para mudá-la em fruto e missão! Toma, Senhor, nossa vida e ação, para mudá-la em missão!

DIRIGENTE: Jesus Sacramentado, Rei dos séculos e Senhor do mundo, guardai o Santo Padre o Papa, o nosso Arcebispo e seus auxiliares, o nosso pároco e seus colaboradores.  Não permitais que alguns dos nossos irmãos no batismo pereçam de sede a dois passos de vosso Coração, Fonte de águas vivas presente em cada sacerdote. Não consintais que desfaleçam de fome, rechaçando-Vos a Vós, o Pão consagrado e vivo descido do céu, por causa da nossa falta de testemunho fora das paredes da igreja.


6-ROGANDO AO SENHOR PELAS PESSOAS APTAS AO SERVIÇO DO REINO                           De joelhos
Todos: Ó Jesus, vosso maior desejo é que nós mesmos peçamos ao Senhor da vinha que mande operários para a sua messe; dignai-vos, pois, suscitar em nossa arquidiocese, e, principalmente nesta paróquia, um número considerável de sacerdotes santos, que, modelados pelo vosso divino Coração, só procurem, no exercício de seus deveres sacerdotais, a glória do vosso Pai celestial e a salvação das almas, que remistes com o vosso preciosismo sangue. Amém

Dirigente: Vamos agora concluir este momento de oração suplicando mais uma vez a Jesus, dizendo:

Todos: Senhor, dai-nos Padres, Padres santos, e tornai-nos dóceis a seus ensinamentos!
(Leitura espontânea)
Para que o vosso santo nome seja santificado em nossa paróquia, na Ordem dos Cônegos Regulares, em outras ordens e congregações presentes nesta Igreja diocesana, em nossas famílias, em nosso Brasil! Vos pedimos:

Para que o vosso Reino venha a nós, aos nossos corações e ao coração de nossos filhos afastados de vossa Casa! Vos pedimos:

Para oferecer cada dia sobre o vosso altar o Santo Sacrifício, redenção dos nossos pecados, alívio para os nossos defuntos! Vos pedimos:

Para absolver os nossos pecados e restituir a vida às nossas almas e a paz aos nossos corações! Vos pedimos:

Para alimentar com o Pão da Eucaristia nossas almas cansadas das lutas da vida! Vos pedimos:

Para que tenhamos o conforto dos vossos divinos Sacramentos durante a vida e, sobretudo, na hora da morte! Vos pedimos:

Para ensinar-nos a amar-nos uns aos outros! Vos pedimos:

Para ensinar a todos o cumprimento corajoso do nosso dever e os meios de merecer a vida eterna! Vos pedimos:

Para pregar-nos a verdadeira justiça e caridade! Vos pedimos:

Para acalmar os ódios sociais e trabalhar para a união dos corações! Vos pedimos:

Pai Nosso... Ave Maria... Glória... Pode-se entoar canto de despedida.

Org: José Wilson Fabrício da Silva, crl

(Cônego Regular Lateranense)

domingo

O Papa Francisco em nome da Igreja, pede perdão ao Padre Cícero Romão Batista

O bispo da diocese de Crato, dom Fernando Panico, divulgou neste domingo, durante missa na Catedral de Crato, que o Padre Cícero Romão Batista foi "perdoado" pelo Vaticano das punições impostas, mesmo sem ele souber quais seriam, entre 1892 a 1916. A reconciliação era um passo definitivo para a reabilitação do processo de beatificação do padre Cícero.
Durante a homilia na Sé do Cariri, dom Fernando Panico informou que "Hoje, por ocasião da abertura solene da Porta Santa da Misericórdia nesta Catedral de Nossa Senhora da Penha, quero anunciar com alegria, à querida Diocese de Crato e aos romeiros e romeiras do Juazeiro do Norte, um gesto concreto de misericórdia, de atenção e de carinho por parte do Papa Francisco para nós: a igreja Católica se reconcilia historicamente com o padre Cícero Romão Batista".
Segundo a carta, assinada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que Vossa Excelência Reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autentica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autentica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo, principio e meta da História”.
A comunicação da reconciliação da Igreja com Padre Cícero "é mais que uma reconciliação. É um pedido de perdão da Igreja pelo o que aconteceu ao sacerdote brasileiro", afirmou Armando Rafael, assessor de comunicação de dom Fernando Panico.
Na mensagem enviada à diocese do Crato, o papa Francisco exalta várias virtudes de evangelizador de padre Cícero, fundador de Juazeiro do Norte e primeiro prefeito do município.
Sobre a Reconciliação histórica da Igreja Católica com a memória do Padre Cícero Romão Batista
Em longa correspondência enviada ao Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico, o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, afirmou que: “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco.
A mensagem lembra, inicialmente, as festas pelo centenário de criação da Diocese de Crato acrescentando “que (essas comemorações) põem em realce a figura do Padre Cícero Romão Batista e a nova Evangelização, procurando concretamente ressaltar os bons frutos que hoje podem ser vivenciados pelos inúmeros romeiros que, sem cessar, peregrinam a Juazeiro atraídos pela figura daquele sacerdote. Procedendo desta forma, pode-se perceber que a memória do Padre Cícero Romão Batista mantém, no conjunto de boa parte do catolicismo deste país, e, dessa forma, valoriza-la desde um ponto de vista eminentemente pastoral e religioso, como um possível instrumento de evangelização popular”.
Lembrando que Deus sempre se serve de pobres instrumentos para realizar suas maravilhas e que todos nós somos “vasos de argila” (2Co 4,7) em Suas mãos, o texto afirma, sem dúvida alguma, que Padre Cícero, pelo seu intenso amor pelos mais pobres e por sua inquebrantável confiança em Deus, foi esse instrumento escolhido por Ele. O Padre respondeu a este chamado, movido por um desejo sincero de estender o Reino de Deus.
Na correspondência constam vários tópicos, dos quais alguns são reproduzidos, a seguir, textualmente:
“Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, por em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.
“É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”.
“Deixou marcas profundas no povo nordestino a intensa devoção do Padre Cícero à Virgem Maria” no seu título de “Mãe das Dores e das Candeias” (...) Como não reconhecer, Dom Fernando, na devoção simples e arraigada destes romeiros, o sentido consciente de pertença à Igreja Católica, que tem na Mãe de Jesus Cristo um dos seus elementos mais característicos?
“A grande romaria do dia de Finados, iniciada pelo Padre Cícero, transmite a dimensão escatológica da existência humana. Pois, como afirma o documento de Aparecida, Nossos povos (...) têm sede de vida e felicidade em Cristo. (...)
“Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanhá-los e de ajuda-los na vivência da sua fé”.
“No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”.
“O afeto popular que cerca a figura do Padre Cícero pode constituir um alicerce forte para a solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (...). Portanto, é necessário, neste contexto, dirigir nossa atenção ao Senhor e agradecê-lo por todo o bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero”.
“Assim fazendo, abrem-se inúmeras perspectivas para a evangelização, na linha desta recomendação do Documento de Aparecida; “Deve-se dar catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular”. (Documento de Aparecida, 300).
“Ao mesmo tempo que me desempenho da honra de transmitir uma fraterna saudação do Santo Padre a todo o povo fiel do sertão do Ceará, com os seus Pastores, bendizendo a Deus pelos luminosos frutos de santidade que a semente do Evangelho faz brotar nestas terras abençoadas, valho-me do ensejo para lhe testemunhar minha fraterna estima e me confirmar de Vossa Excelência Reverendíssima devotíssimo no Senhor.

http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/mundo/2015/12/13/noticiasmundo,3548553/papa-francisco-perdoa-padre-cicero.shtml